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Os desafios dos relacionamentos longos

Nova série de vídeos no meu canal! “Os desafios dos relacionamentos longos” é o nome. Relacionamentos longos são uma delícia, mas também são complexos e rendem muito assunto. Já separei um monte de temas para tratar aqui! Nesse primeiro vídeo, faço uma intro no assunto e conto como eu e meu marido nos conhecemos. Me contem se gostaram e fiquem à vontade para sugerir temas:)

 

Catarrinho ontológico

Tem vídeo novo no meu canal!

“Catarrinho ontológico” é o nome do vídeo. É sobre esse desconforto existencial que bate às vezes dentro do nosso peito, essa angústia sem nome que vira e mexe nos visita, essa sensação de deslocamento, esse ponto de interrogação que faz parte de estar vivo… O que fazer com isso?

Escolhas

Vídeo novo no meu canal! É mais um da série “Lili de Bolso”, com vídeos curtinhos sobre assuntos variados. O tema desse: as escolhas nossas de cada dia. Sempre tem alguém dizendo que cada um de nós é fruto de suas próprias escolhas. Até que ponto isso faz sentido?

Envelhecer é descer ladeira abaixo?

5e321ac1900fcffc656b36fede7fa4a2Sábado. Eu estava no restaurante, almoçando com uma amiga minha, quando ela comentou:

– Olha aquela família ali… Acho tão deprê ver essas famílias no restaurante…

Virei a cabeça para trás. Era um casal com um bebê e uma criança de uns quatro anos. Todos comiam sossegados. No carrinho, o bebê parecia estar dormindo.

– Olha o casal – ela continuou. – Eles nem estão conversando um com o outro. E que chatice ficar cuidando de criança, eles vão passar o fim de semana inteiro ocupados. Ah, essa cena me parece meio deprê, sei lá.

Como eu tenho marido e filha, pensei: será que, quando estamos calados em um restaurante, olham para a gente assim? Somos felizes, mas com certeza devemos passar uma imagem de tédio aos olhos alheios dependendo do dia, do momento. Bom, que olhem como quiserem, não tenho controle sobre isso, concluí. Mas antes que eu dividisse minhas conclusões mentais com minha amiga, ela falou:

– Outra coisa que eu acho deprê é aquela mulher ali, sozinha, mexendo no celular, dá uma olhada… Deve ter a minha idade e tá na cara que é solteira ainda… Ou separada, né… Nossa, ela passa uma tristeza no olhar, um vazio, um tédio…
– Espera – eu falei. – Esse vazio, esse tédio são seus, né. Ou todo estado civil é deprê?

Ela riu, eu ri, e então ela, que tem quarenta anos, confessou sua opinião: não importa como você viva – a partir dos trinta e poucos, é um curso ladeira abaixo que você segue. Passou a fase do namoro, das paixões, dos encontros cheios de ansiedade e de um coração receptivo ao outro e animado diante das experiências. Acabou o entusiasmo juvenil, a sede de novidades, acabou uma certa inocência, uma boa vontade em relação às pessoas e ao futuro. Sobrou o quê? Um cansaço, um certo desgosto generalizado. Uma desconfiança, um desconforto que não passa. Um discurso cínico e azedo sobre o ser humano, sobre os tempos atuais, a família e as relações amorosas. A culpa não é do estado civil, mas da idade: quando as risadas de alegria são substituídas por tiradas sarcásticas, cenas que eram emocionantes viram repetitivas e, às vezes, simplesmente patéticas, e uma dose de desprezo contamina tudo ao redor.

Casais juntos há anos: são felizes, mesmo, ou estão juntos por medo, comodismo, conveniência? Solteiros: são descolados, ou passam uma imagem triste e desesperada com suas buscas no Tinder? Divorciados com filhos: pessoas vivendo as dores e delícias que fazem parte dessa fase, assim como de qualquer outra fase, ou “os mais deprimentes”, segundo minha amiga, com seus fins de semana levando e buscando as crianças na casa um do outro e suas noites esquisitas, tentando se encaixar na balada, com expectativas já afogadas em esperanças que tiveram quando mais jovens e não têm mais?
– Ai, Lili, eu me sinto tão leve conversando com você – minha amiga completou, depois de eu rir muito e comentar um pouco sobre sua perda de fé generalizada.

– Eu, por outro lado, estou dez quilos mais pesada! – admiti, pedindo o café e louca, confesso, louca para ir pra casa dar um abraço na minha filha, comer um chocolate, fazer um bolo, fazer sexo: qualquer coisa que me devolvesse a sensação tranquilizadora de que a vida, em qualquer idade, pode ser rica, interessante, envolvente.

Essa minha amiga ficou desiludida muito cedo. Não que haja uma idade ideal para que a amargura invada o olhar – acho que o ideal é que pelo menos algum encantamento possa ser encontrado nos nossos olhos até o fim dos nossos dias. Mas acho triste quando essa amargura vem já na terceira ou quarta década aqui. Impressão minha ou muitos, além da minha amiga, estão se cansando rápido demais de suas jornadas? Sempre foi assim?

Penso em velhinhos amargurados: com seus oitenta, noventa anos, só sabem condenar, reclamar e se lamentar. Conheço pessoas assim. Então penso em velhinhos serenos, que passam uma leveza que sinto que tenho, mas que também sinto que preciso me cuidar para preservar. Também conheço velhinhos desse grupo. Como sempre, há de tudo. Não existem só olhares como os da minha amiga. Não existe apenas a ótica da falta, da escassez. Não é esse o único viés possível para se olhar a existência. Há filtros mais generosos, condescendentes ou simplesmente alegres. Se não para todos aqueles que buscam, então para os que conseguiram encontrar. Se não buscar, penso que aí é que não se acha mesmo. Generosidade natural em relação à vida, sem esforço ou, ao menos, sem certo cuidado e dedicação, talvez só a das crianças. Nós, adultos, temos que respirar fundo e fazer essa opção. Ou talvez alguns sejam amargos por natureza. De todo modo, nem todos conseguem. E também tem aqueles que não querem, não estão a fim, não se dão ao trabalho.

Saí daquele almoço pensando duas coisas: na caminhada de volta à minha casa, vou passar na banca e comprar figurinhas para a minha filha. E espero que minha amiga recupere algum gosto pela direção suave, agradável, em vez de botar a vida no ponto morto e descer de vez ladeira abaixo.

* Esta minha crônica foi publicada no site da CLAUDIA. Para ler lá, clique aqui

10 livros que amei

Pensando nas suas próximas leituras? Fiz um vídeo mostrando 10 dos livros que atrapalharam minha vida – atrapalharam no sentido de acrescentar, porque eu não conseguia largá-los. Não necessariamente vão bater com seu gosto, claro, mas ficam de sugestão para dar aquela folheada na livraria e ver se vale levar para casa também!

Vídeo novo!

Queremos ser tristes? Essa é a pergunta que ficou na minha cabeça por causa de um trecho do livro “A Sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Zafón, que estou lendo. O sofrimento existe, mas, às vezes, o prolongamos sem necessidade? Me contem o que acham! :)

Lili de bolso

Novidade no meu canal! Agora, além dos vídeos longos de sempre, gravei vídeos curtinhos, bem rapidinhos mesmo, sobre assuntos variados. No primeiro, “Deus e a Superlua”. Espero que gostem!

 

Os nossos desejos que não são tão nossos

alone-art-girl-paint-Favim.com-2232715Ela nunca teve vontade de ter filhos. As amigas perguntavam o porquê e ela listava mil motivos, raramente mencionando o verdadeiro: não tinha vontade. Era isto, apenas isto: não tinha vontade de ser mãe, não cresceu acalentando esse desejo, não estava a fim.

Dentro dela havia algumas rachaduras sem nome, alguns buracos existenciais, como em todo mundo – não somos lá muito bem pavimentados por dentro. Mas não havia aquele buraco específico, que se difere dos demais pela placa ao seu lado, onde se lê: “Quero ser mãe”. Se você, assim como eu, sempre quis ser mãe, sabe do que estou falando. De uma espécie de vazio especial, didático, que deixa claro, sem margem para discussões: só serei preenchido por um filho.

As amigas perguntavam se ela tinha certeza, mas compreendiam. A família compreendia. O marido dela – era casada havia dez anos – não só compreendia como não insistia, não cobrava. Só ela mesma não compreendia.

Foi por isso que, perto dos quarenta anos, ela decidiu engravidar. E conversou com o marido, e parou de tomar a pílula, e teve o Miguel.

Teve o Miguel não porque queria ter o Miguel, ou a Catarina, ou a Beatriz. Teve o Miguel não por conta de um desejo genuíno, mas por causa de um pensamento que foi resumido nesta confissão, que, entre risos, ela fez ainda na gravidez, quando as amigas perguntaram por que, afinal, ela havia mudado de ideia:

- Às vezes, nesta vida, tudo o que a gente quer é seguir a boiada!

Era isso. Dito entre risos, mas, aparentemente, com a força, a brutalidade e a contradição de todas as emoções misturadas. Muita emoção misturada costuma acabar em lágrimas, mas, às vezes, o emaranhado se disfarça em uma boca aberta, cheia de dentes.

Às vezes, nesta vida, tudo o que a gente quer é seguir a boiada. Como todo mundo, queremos ter dois braços, duas pernas. Queremos ter um salário, amigos, uma família dentro do normal, desejos dentro do normal. Sabe como é: somos seres pensantes, mas preguiçosos. Frequentemente, nutrimos vontades e comportamentos não porque são nossos de verdade, mas porque são as vontades e comportamentos que vemos nos outros. Então nos tornamos obcecadas por dieta não porque isso nos faz felizes, mas porque é essa a obsessão da boiada: como podemos ser felizes sem fazer dieta, já que é isso que todo mundo quer? Então nos tornamos reféns de padrões não porque refletimos e concluímos que é isso mesmo que grita em nós, mas porque é o que o pessoal anda fazendo por aí. Viramos escravos do consumo excessivo, de relações que não nos realizam e até de programas no final de semana que não nos preenchem porque, afinal, são o que todo mundo está fazendo, ora. Não é?

É. Parece que sim. Queremos pertencer a um grupo. Pensar com a própria cabeça e se identificar com uma pessoa aqui, outra acolá parece solitário demais: às vezes, queremos pertencer ao enorme e sem rosto grupo chamado “normalidade”. É reconfortante.

Mas e quando, no fundo, queríamos adotar outra postura, outro comportamento, outra forma de pensar? E quando acabamos nos obrigando a seguir a boiada por medo da hostilidade de fora do grupo? Aí, parece que é a tal boiada que vira uma agressão a nós mesmos. E lá fora, bem longe dela, ainda que mais vazio, seria o lugar mais acolhedor. Ali, bem ali, onde, talvez, experimentaríamos um respiro mais libertador do que qualquer aprovação alheia.

Pelas minhas contas, o Miguel deve estar quase no seu primeiro aniversário. Como sempre, a vida não é simples e a maternidade, menos ainda: pode ser que a mãe do Miguel esteja muito realizada hoje, no fim das contas. E pode ser que não. Não sei. O que sei, ou acho que sei, é que, do nascimento à morte, precisaremos sufocar muitos dos nossos desejos e forjar outros pelos motivos mais variados. Não podemos ser nós mesmos em 100% do tempo: fato. Mas é grande o risco de morrermos em vida se ignorarmos nossos anseios mais significativos. Se nos obrigarmos a seguir boiadas que nem se importam conosco. Se caminharmos sem cuidado ou respeito por nosso interior já frágil, com seus buracos e preenchimentos que acabam dando forma, para o bem e para o mal, a cada um de nós.

* Texto que escrevi para o site da revista CLAUDIA, para ler lá clique aqui

Você já teve depressão?

Vídeo novo no meu canal! Assunto delicado: segundo pesquisa realizada pela ONU em 24 países, São Paulo é a cidade campeã em número de transtornos mentais, incluindo aí depressão (e ansiedade, e pânico, e outros). Discorro a respeito. Espero que vocês gostem!