“Eu não quero ter filhos” – pensou a jornalista Elisabeth Gilbert, chorando, no banheiro de sua casa, depois de mais uma noite de discussões com o marido. “Eu não quero continuar casada”. A passagem está no livro “Comer, Rezar, Amar”. Se você não leu ou se só viu o filme, que é simpático, mas deixa a história de Elisabeth um pouco hollywoodiana demais, vale cogitar uma visita à livraria mais próxima e conhecer mais a fundo a jornada da protagonista. Como todas nós em algum momento da vida, ela se viu passando por uma fase de angústia, em que tentava definir seus próximos passos. A partir daí, começou uma busca por crescimento pessoal – e foi parar na Itália, na Índia e na Indonésia.
Mas, afinal de contas, o que é crescimento pessoal?
Para a terapeuta e professora de filosofia Dulce Critelli, o termo é aberto e possibilita várias significações. Muitos consideram que crescer como pessoa quer dizer ter um cargo melhor do que tinha há dez anos, adquirir segurança financeira, conquistar o pacote “casar e ter filhos”. São metas cobradas pela sociedade: por mais que seja perfeitamente possível ser feliz solteira, ganhando pouco e optando por não ter filhos, é fácil notar uma cobrança para que preenchamos esses requisitos. “Esses padrões voltados para o consumo ou status são estabelecidos não por cada um de nós, mas pela cultura em que vivemos”, diz Dulce. “No entanto, são parâmetros muito individualistas: um indivíduo mais potente, com mais poder, corresponde à pressão social, mas não é necessariamente um ser humano melhor. É aí que entra o crescimento pessoal como meta particular”.
É desse crescimento que estamos falando. E a pergunta que pode norteá-lo é: como posso me tornar uma versão melhor de mim mesma?
Como se trata de uma busca particular, quem define os parâmetros, agora, não é o seu vizinho ou a propaganda da TV, mas você mesma. Cabe a cada um de nós decidir no que consiste essa versão aperfeiçoada, assim como definir os meios para obtê-la. Nossa procura por crescimento pessoal pode perpassar as experiências do dia-a-dia, assim como pode significar, em alguns períodos, uma guinada maior. Há quem decida tirar um ano sabático e viajar, assim como quem prefira seguir uma via mais espiritual, passando a freqüentar um templo, meditar ou seguir uma religião. Também há quem escolha um caminho mais racional – passando a estudar filosofia ou psicologia, por exemplo. Cada um elege como meio aquele com que se sente mais confortável. “Mas uma pergunta que a gente deve se fazer nessas horas é: estou escolhendo esse meio por ser o mais confortável, porque ele não me cutuca, ou porque é o que me abre mais caminhos?”, questiona Dulce.
Essa pergunta requer uma pausa – sair do piloto automático, interromper nossa rotina justamente para questioná-la. Foi a partir dessa pausa que a artesã Luisa Pfau, então com 55 anos, decidiu mudar os planos: o dinheiro que vinha economizando para a compra de um carro seria empregado em uma longa viagem pelas margens do rio São Francisco. Divorciada havia treze anos, Luisa, depois de já ter trabalhado como enfermeira e guia turística para alemães, tinha acabado de interromper sua incursão como designer de jóias e estava se dedicando ao papel de avó quando começou a se perceber angustiada. “Tinha trabalhado a vida toda e agora estava inquieta, na casa da minha filha”, conta ela. “Não sabia o que queria fazer, mas sabia que algo precisava ser feito. Faltava alguma coisa.”
Luisa sempre havia gostado de rios. Já havia morado em Alagoas, onde conheceu a parte do São Francisco que passava por lá. Agora, morava novamente em Santa Catarina, seu estado natal. “Então, pensei: quer saber? Vou pegar esse dinheiro do carro e me lançar nessa viagem”. Quando ela saiu de casa sozinha, levando apenas uma mochila com 15 quilos, as duas filhas mal podiam acreditar. Diferentemente da abonada Elisabeth Gilbert, ela só contava com 30 reais por dia para dormir, comer e tudo mais. “Dormi em pousadas e hotéis simples, e também na casa de pessoas que conhecia pelo caminho e me convidavam: freiras, professores…”, conta ela. “Muitos me achavam louca”. No total, foram 82 cidades e vilarejos visitados em sete meses. No fim, ela decidiu descansar em Alagoas, e acabou ficando lá por um ano antes de ir para casa. Voltou com 57 anos, despedindo-se do novo namorado alagoano e cheia de história para contar. “Antes da viagem, eu sentia que não tinha feito tudo o que eu queria. É como se agora, na volta, eu não tivesse mais medo da morte”, diz.
Nós e os outros
O crescimento pessoal é, como a própria expressão indica, pessoal. Cada um investiga si mesmo para saber o que está faltando. Mas Dulce nota que, geralmente, essa busca por realização passa pela interação com os outros. A cobrança social, aquela por ganhar melhor e ser bem-sucedido, adota critérios muito individualistas. “Mas a fonte da nossa felicidade costuma estar associada à troca entre as pessoas. São elas que nos fazem sentir queridas, valorizadas”, afirma. Por isso, é comum ver, tanto entre mulheres como entre os homens, profissionais que se orgulham de ser bem-sucedidos, mas que se sentem vazios ao pensar que o casamento ou a relação com os filhos andam mal.
Assim, nossa busca particular costuma estar associada ao nosso entorno e à maneira como vemos o mundo e como nos relacionamos – não só com família e amigos, como nossos vizinhos, o meio-ambiente, o bairro, o país. Foi o que aconteceu com Luisa: “Entre tantas mudanças que a viagem pelo rio me trouxe, uma das mais gratificantes foi que passei a ter muito mais facilidade para conviver com os outros, de estranhos às minhas próprias filhas”, conta ela. “E a viagem me fez pensar em formas de colaborar com as cidades por onde passei. Convivi de perto com problemas das populações locais que só suspeitava de longe”.
Por isso, olhar para fora, para a maneira como nos relacionamos, tem tudo a ver com crescimento pessoal. Nenhum homem é uma ilha, como diria o poeta inglês John Donne. E os outros são como nossos espelhos, lembra Dulce. “Por mais que eu tenha minhas metas individuais, são as pessoas com quem convivemos que nos indicam se estamos crescendo de acordo com o que definimos para nós. Nós mudamos e elas nos vão dando notícias de como estamos indo.” Se você acha que conseguiu ficar mais calma e paciente, mas só você percebe isso… Tem algo errado.
Mas por que, afinal de contas, decidir crescer como pessoa? Por que não continuamos os mesmos, realizando nossas tarefas da mesma maneira de sempre, tentando manter as mesmas opiniões e ideias?
Primeira e mais óbvia razão: não estamos nos sentindo bem do jeito que a coisa está indo. Alguns indicadores nos mostram que é hora de agir – ou continuar angustiado. “A tristeza, o tédio, a sensação de vazio são bons parâmetros”, avalia Dulce. “Você não está doente, mas se vê constantemente sem vigor, sem energia.”
Era assim que Gisele Gandolfi, 32 anos, estava se sentindo quando trabalhava no mercado financeiro, há nove anos. “Eu ganhava bem como trader de moeda estrangeira, mas isso não bastava” conta ela. “Lia tudo sobre arte, mas enrolava para ler os livros que comprava sobre finanças. Minha sensação era de que a vida poderia me apetecer mais, de que não era só aquilo”. Foi assim que ela decidiu estudar cerâmica. No começo, conciliou as duas atividades, até que abriu a conceituada Muriqui Cerâmica e saiu de vez do mercado financeiro. Nos últimos anos, Gisele começou a se interessar por filosofia e ler livros sobre o assunto. “De novo, sentia que tinha alguma coisa legal por aí e eu não estava sabendo”. Em 2010, entrou num grupo de estudos sobre Nietzsche. “Dedicar parte do meu tempo à filosofia é algo que me acrescenta muito, que dá mais significado aos meus dias.”
Significado: o crescimento pessoal está intimamente ligado à nossa vontade de dar sentido à vida. “Penso que é da condição humana que você persiga três perguntas: quem sou eu, qual é o sentido da existência e o que faço aqui”, afirma Dulce. Tais questões constantemente se colocam diante de nós: “Todos se fazem essas perguntas”.
Algo que dê sentido à nossa existência não precisa necessariamente passar por uma esfera transcendente – ou seja, não precisa vir de uma realidade que nos seria externa, como alguma explicação que evoque Deus. Pode ser mais simples: quando estamos infelizes, costumamos sentir que nossos dias estão vazios. Vamos do trabalho para casa e da casa para o trabalho, sem que nada nos apeteça, como disse Gisele. Ao contrário, quando nos sentimos bem, é como se nossa alegria desse sentido a tudo: num passe de mágica, a vida se enche de significado.
O crescimento pessoal também está associado à busca pela felicidade. “Conceituo a felicidade como uma espécie de selo de qualidade”, diz Dulce. “Ela não é algo concreto: está mais para um sentimento que confirma que estamos no caminho certo, ou que estamos fazendo o melhor possível.” Quer sensação melhor que essa?
É bom lembrar que as saídas que encontramos hoje para nossa felicidade talvez não nos sirvam amanhã. Foi o que aconteceu com Elisabeth R. Z. Brose, 48 anos, mestre e doutora em Teoria da Literatura. Por cinco anos, a terapia foi um ótimo recurso para pensar sobre suas questões. “Mas, depois, deixou de ser: era hora de analisar menos e experimentar mais”. Depois de viajar para a Europa, visitar exposições, conversar com colegas, amadureceu uma ideia que tinha fazia tempo: sempre gostou de dar aulas e pesquisar, mas assessorava dois amigos autores e sentia que era por aí que queria ir. Foi assim que fundou com a jornalista Gabriella Mancini a TodasasLetras Comunicação, uma empresa que presta assessoria a autores.
Satisfação permanente não existe. É uma ilusão, nas palavras de Dulce: “Como somos muito voltados à novidade, não há um patamar perfeito, em que atingimos tudo o que queremos.” Por isso, ficamos satisfeitos por algum tempo, mas, à medida que os acontecimentos fluem, nos vemos de novo inquietos. E decidimos o que vamos buscar, o que faz sentido para nós hoje. Afinal, se a satisfação permanente não existe, o crescimento pessoal não tem fim e é um processo que nos acompanha a vida toda. Ainda bem!
Quero ser grande (revista CLAUDIA/janeiro 2011)
Mas, afinal de contas, o que é crescimento pessoal?
Para a terapeuta e professora de filosofia Dulce Critelli, o termo é aberto e possibilita várias significações. Muitos consideram que crescer como pessoa quer dizer ter um cargo melhor do que tinha há dez anos, adquirir segurança financeira, conquistar o pacote “casar e ter filhos”. São metas cobradas pela sociedade: por mais que seja perfeitamente possível ser feliz solteira, ganhando pouco e optando por não ter filhos, é fácil notar uma cobrança para que preenchamos esses requisitos. “Esses padrões voltados para o consumo ou status são estabelecidos não por cada um de nós, mas pela cultura em que vivemos”, diz Dulce. “No entanto, são parâmetros muito individualistas: um indivíduo mais potente, com mais poder, corresponde à pressão social, mas não é necessariamente um ser humano melhor. É aí que entra o crescimento pessoal como meta particular”.
É desse crescimento que estamos falando. E a pergunta que pode norteá-lo é: como posso me tornar uma versão melhor de mim mesma?
Como se trata de uma busca particular, quem define os parâmetros, agora, não é o seu vizinho ou a propaganda da TV, mas você mesma. Cabe a cada um de nós decidir no que consiste essa versão aperfeiçoada, assim como definir os meios para obtê-la. Nossa procura por crescimento pessoal pode perpassar as experiências do dia-a-dia, assim como pode significar, em alguns períodos, uma guinada maior. Há quem decida tirar um ano sabático e viajar, assim como quem prefira seguir uma via mais espiritual, passando a freqüentar um templo, meditar ou seguir uma religião. Também há quem escolha um caminho mais racional – passando a estudar filosofia ou psicologia, por exemplo. Cada um elege como meio aquele com que se sente mais confortável. “Mas uma pergunta que a gente deve se fazer nessas horas é: estou escolhendo esse meio por ser o mais confortável, porque ele não me cutuca, ou porque é o que me abre mais caminhos?”, questiona Dulce.
Essa pergunta requer uma pausa – sair do piloto automático, interromper nossa rotina justamente para questioná-la. Foi a partir dessa pausa que a artesã Luisa Pfau, então com 55 anos, decidiu mudar os planos: o dinheiro que vinha economizando para a compra de um carro seria empregado em uma longa viagem pelas margens do rio São Francisco. Divorciada havia treze anos, Luisa, depois de já ter trabalhado como enfermeira e guia turística para alemães, tinha acabado de interromper sua incursão como designer de jóias e estava se dedicando ao papel de avó quando começou a se perceber angustiada. “Tinha trabalhado a vida toda e agora estava inquieta, na casa da minha filha”, conta ela. “Não sabia o que queria fazer, mas sabia que algo precisava ser feito. Faltava alguma coisa.”
Luisa sempre havia gostado de rios. Já havia morado em Alagoas, onde conheceu a parte do São Francisco que passava por lá. Agora, morava novamente em Santa Catarina, seu estado natal. “Então, pensei: quer saber? Vou pegar esse dinheiro do carro e me lançar nessa viagem”. Quando ela saiu de casa sozinha, levando apenas uma mochila com 15 quilos, as duas filhas mal podiam acreditar. Diferentemente da abonada Elisabeth Gilbert, ela só contava com 30 reais por dia para dormir, comer e tudo mais. “Dormi em pousadas e hotéis simples, e também na casa de pessoas que conhecia pelo caminho e me convidavam: freiras, professores…”, conta ela. “Muitos me achavam louca”. No total, foram 82 cidades e vilarejos visitados em sete meses. No fim, ela decidiu descansar em Alagoas, e acabou ficando lá por um ano antes de ir para casa. Voltou com 57 anos, despedindo-se do novo namorado alagoano e cheia de história para contar. “Antes da viagem, eu sentia que não tinha feito tudo o que eu queria. É como se agora, na volta, eu não tivesse mais medo da morte”, diz.
Nós e os outros
O crescimento pessoal é, como a própria expressão indica, pessoal. Cada um investiga si mesmo para saber o que está faltando. Mas Dulce nota que, geralmente, essa busca por realização passa pela interação com os outros. A cobrança social, aquela por ganhar melhor e ser bem-sucedido, adota critérios muito individualistas. “Mas a fonte da nossa felicidade costuma estar associada à troca entre as pessoas. São elas que nos fazem sentir queridas, valorizadas”, afirma. Por isso, é comum ver, tanto entre mulheres como entre os homens, profissionais que se orgulham de ser bem-sucedidos, mas que se sentem vazios ao pensar que o casamento ou a relação com os filhos andam mal.
Assim, nossa busca particular costuma estar associada ao nosso entorno e à maneira como vemos o mundo e como nos relacionamos – não só com família e amigos, como nossos vizinhos, o meio-ambiente, o bairro, o país. Foi o que aconteceu com Luisa: “Entre tantas mudanças que a viagem pelo rio me trouxe, uma das mais gratificantes foi que passei a ter muito mais facilidade para conviver com os outros, de estranhos às minhas próprias filhas”, conta ela. “E a viagem me fez pensar em formas de colaborar com as cidades por onde passei. Convivi de perto com problemas das populações locais que só suspeitava de longe”.
Por isso, olhar para fora, para a maneira como nos relacionamos, tem tudo a ver com crescimento pessoal. Nenhum homem é uma ilha, como diria o poeta inglês John Donne. E os outros são como nossos espelhos, lembra Dulce. “Por mais que eu tenha minhas metas individuais, são as pessoas com quem convivemos que nos indicam se estamos crescendo de acordo com o que definimos para nós. Nós mudamos e elas nos vão dando notícias de como estamos indo.” Se você acha que conseguiu ficar mais calma e paciente, mas só você percebe isso… Tem algo errado.
Mas por que, afinal de contas, decidir crescer como pessoa? Por que não continuamos os mesmos, realizando nossas tarefas da mesma maneira de sempre, tentando manter as mesmas opiniões e ideias?
Primeira e mais óbvia razão: não estamos nos sentindo bem do jeito que a coisa está indo. Alguns indicadores nos mostram que é hora de agir – ou continuar angustiado. “A tristeza, o tédio, a sensação de vazio são bons parâmetros”, avalia Dulce. “Você não está doente, mas se vê constantemente sem vigor, sem energia.”
Era assim que Gisele Gandolfi, 32 anos, estava se sentindo quando trabalhava no mercado financeiro, há nove anos. “Eu ganhava bem como trader de moeda estrangeira, mas isso não bastava” conta ela. “Lia tudo sobre arte, mas enrolava para ler os livros que comprava sobre finanças. Minha sensação era de que a vida poderia me apetecer mais, de que não era só aquilo”. Foi assim que ela decidiu estudar cerâmica. No começo, conciliou as duas atividades, até que abriu a conceituada Muriqui Cerâmica e saiu de vez do mercado financeiro. Nos últimos anos, Gisele começou a se interessar por filosofia e ler livros sobre o assunto. “De novo, sentia que tinha alguma coisa legal por aí e eu não estava sabendo”. Em 2010, entrou num grupo de estudos sobre Nietzsche. “Dedicar parte do meu tempo à filosofia é algo que me acrescenta muito, que dá mais significado aos meus dias.”
Significado: o crescimento pessoal está intimamente ligado à nossa vontade de dar sentido à vida. “Penso que é da condição humana que você persiga três perguntas: quem sou eu, qual é o sentido da existência e o que faço aqui”, afirma Dulce. Tais questões constantemente se colocam diante de nós: “Todos se fazem essas perguntas”.
Algo que dê sentido à nossa existência não precisa necessariamente passar por uma esfera transcendente – ou seja, não precisa vir de uma realidade que nos seria externa, como alguma explicação que evoque Deus. Pode ser mais simples: quando estamos infelizes, costumamos sentir que nossos dias estão vazios. Vamos do trabalho para casa e da casa para o trabalho, sem que nada nos apeteça, como disse Gisele. Ao contrário, quando nos sentimos bem, é como se nossa alegria desse sentido a tudo: num passe de mágica, a vida se enche de significado.
O crescimento pessoal também está associado à busca pela felicidade. “Conceituo a felicidade como uma espécie de selo de qualidade”, diz Dulce. “Ela não é algo concreto: está mais para um sentimento que confirma que estamos no caminho certo, ou que estamos fazendo o melhor possível.” Quer sensação melhor que essa?
É bom lembrar que as saídas que encontramos hoje para nossa felicidade talvez não nos sirvam amanhã. Foi o que aconteceu com Elisabeth R. Z. Brose, 48 anos, mestre e doutora em Teoria da Literatura. Por cinco anos, a terapia foi um ótimo recurso para pensar sobre suas questões. “Mas, depois, deixou de ser: era hora de analisar menos e experimentar mais”. Depois de viajar para a Europa, visitar exposições, conversar com colegas, amadureceu uma ideia que tinha fazia tempo: sempre gostou de dar aulas e pesquisar, mas assessorava dois amigos autores e sentia que era por aí que queria ir. Foi assim que fundou com a jornalista Gabriella Mancini a TodasasLetras Comunicação, uma empresa que presta assessoria a autores.
Satisfação permanente não existe. É uma ilusão, nas palavras de Dulce: “Como somos muito voltados à novidade, não há um patamar perfeito, em que atingimos tudo o que queremos.” Por isso, ficamos satisfeitos por algum tempo, mas, à medida que os acontecimentos fluem, nos vemos de novo inquietos. E decidimos o que vamos buscar, o que faz sentido para nós hoje. Afinal, se a satisfação permanente não existe, o crescimento pessoal não tem fim e é um processo que nos acompanha a vida toda. Ainda bem!