A vergonha de ter babá (ou a loucura que a mãe moderna virou)

mothers-dayQuando a gente nasce, não se olha no espelho e nem tira um selfie no celular. Quando a gente nasce, a gente conhece primeiro o rosto do outro. O nosso rosto só vai ganhar importância lá na frente. Até lá, vamos desfrutar a cara acolhedora de quem nos apresentou a este mundo desconhecido ou, pelo contrário, suas feições hostis.

Lendo “Esferas 1”, de um filósofo alemão chamado Peter Sloterdijk, comecei a refletir sobre isso. Ninguém, nem Peter Sloterdijk nem nenhum psicanalista que se preze, vai negar o impacto trazido por esse primeiro contato do bebê com o mundo. Vivemos em tempos em que as crianças são valorizadas como nunca haviam sido. Sabemos da importância que vai ter na vida da criança esse acolhimento (ou hostilidade) que começa lá na sala de parto e continua forte nos primeiros anos de vida. Que mundo é este que o bebê vê lá fora? Um lugar macio ou inóspito? O bebê confia nele ou procura fugir?

Até aí, acho que todo mundo está de acordo.

Mas aí entra na cena um subtema mais polêmico: a importância da mãe da criança. Na vida dessa criança.

“Como polêmico? Todo mundo sabe da importância da mãe”. É verdade. Mas a polêmica reside no fato de tanta gente achar – estou falando de tanta gente de hoje, e da sociedade em que vivemos – que a mãe é tão importante na vida do bebê, que não há ninguém que se compare a ela.

A história muda. Os valores mudam. Até outro dia – estou falando do século 19 -, as mulheres eram muito mais estreitamente ligadas ao papel de esposa do que o de mãe, como a Brenda lembra neste ótimo post. O que significa dizer que: até o século 19, ao menos na sociedade moderna/ocidental/etc, as famílias abastadas contratavam um monte de funcionários para cuidar das crianças. As mães endinheiradas ficavam coordenando esses funcionários todos e lendo romances – lembrei agora da mulher do Jung retratada no filme, que mal encostava nos filhos enquanto os criados cuidavam deles.

(Já as mulheres pobres, que, todos sabem, sempre trabalharam, se eram mães, tinham de contar com a ajuda de suas próprias mães, de parentes, vizinhos etc, para olharem seus filhos enquanto estavam ocupadas – boa parte delas deixavam as crianças meio soltas, abandonadas à própria sorte. Ficar brincando com o filho, acompanhar a infância dele de perto e com prazer, tudo isso é historicamente novo. Óbvio que cada indivíduo é único e sempre houve exceções. Por exemplo, mesmo na antiga Grécia, bem antes do feminismo, tinha um ou outro pai que, na contramão daquela sociedade patriarcal em grau hardcore, cuidava bem dos pimpolhos. Não estou dando referência de tudo aqui, mas tudo isso que estou dizendo é facilmente encontrado em textos antigos, como peças de teatro.)

Resumo histórico da ópera: mãe que tem filho pequeno sempre precisou de ajuda, seja ajuda de graça, seja remunerada. De modo geral, a esfera doméstica-familiar já foi a aspiração máxima feminina e cuidar de filho tradicionalmente é mais responsabilidade nossa do que deles, mas, até pouco tempo atrás, a mãe podia aceitar (ou pagar) ajuda de bom grado. Não ficavam olhando feio pra ela.

Bom. Chegamos ao século 21. E aí espalharam que a mulher tem que ser uma mãezona, que ninguém ama o filho como a mãe, que o filho é tudo na vida da mãe e tal. Então, ter babá pega meio mal: mesmo que tenha dinheiro para contratar uma ajudante, a mãe precisa cuidar dos filhos ela mesma, porque, afinal, o filho é tudo na vida dela. MAS essa mãe também tem que trabalhar fora, afinal, viver dependente do marido é ultrapassado. Problema colocado: como ser mãezona E trabalhar fora?

O “certo” é ser mãezona, mas dividir as tarefas com o pai. Mas o pai, opa, também trabalha fora. No Brasil, a licença paternidade é insignificante. Então, a mãe que se vire para trabalhar fora e ser uma supermãe.

Para quem é escritora, como eu, é até mais ou menos simples resolver essa questão. Escritores, jornalistas e fotógrafos freelancers, enfim, o pessoal que faz sua própria rotina de trabalho: esses podem dar um jeito de trabalhar por meio período, trabalhar em casa, etc, enquanto o filho está pequeno. Aqui em casa, em que eu e meu marido trabalhamos no esquema home office, então, não precisamos de babá: durante a semana, nos revezarmos nos cuidados com nossa filha E nos cuidados com nós mesmos (porque amo minha filha, mas, ao contrário do que nossos tempos parecem pregar, a maternidade não é 100% fonte da minha realização: além de curtir a minha filha, também quero trabalhar, ficar um pouco sozinha, ver meus amigos, enfim, fazer as minhas coisas).

Mas e para a mãe que é executiva? E para a mãe que é professora e precisa trabalhar nos três turnos, por exemplo? E para a mãe que é deputada, e para a mãe que é empregada doméstica?

Precisamos colocar na nossa cabeça do século 21 que nossos bebês precisam de rostos acolhedores desde o primeiro momento, sim. Rostos que lhes deem as boas vindas ao mundo e os acompanhem de perto até que eles andem com as próprias pernas. Mas esse rosto, pelo amor de Deus, não precisa ser só o da mãe – se ela tiver essa opção, claro, porque não falta mãe que não pode contar com (quase) ninguém. Esse rosto pode ser o do pai. Dos avós. E até das babás, por que não?

“Coisa de rico”, “Substituta dos pais”: ora, assim como existem mães e pais terríveis, que estão longe de oferecer rostos amáveis para seus filhos, há babás superamorosas, que são pagas para cuidar, sim, mas cuidam com afeto. Enquanto suas chefes trabalham o dia todo e, muito provavelmente, se sentem culpadas por não corresponderem a este ideal de mãe moderna do século 21.

Temos que tomar cuidado com essa “nova tradição” que parece estar vindo com a desejável valorização da criança: a supervalorização social do papel da mãe. Junto com as propagandas fofas de dia das mães, vem uma pressão danada para cima da gente e até mesmo a depressão de muitas de nós. Já entendemos que criança precisa de cuidados e muito, muito carinho: mas esse carinho pode vir da mãe, do pai, das tias da creche – que deveria ser integral para a mãe que precisa (ou gosta!) de trabalhar. Se é nossa a função de cuidar dos filhotes, ou se, ao menos, é assim que grita e dita a tradição, então que, nesse cargo de chefe, a gente aprenda, quando possível, a delegar. Com amor e sem culpa: nossos filhos estão bem? Então ótimo. E, desnecessário dizer: quem não quer ser mãe, que não seja. Sem culpa!

Queria ter escrito este texto no dia das mães, mas acabei não escrevendo. Vai agora.

A sociedade patriarcal (vocês, rapazes legais que estão lendo, sabem que vocês, legais, sempre existiram, mas não neguemos que nossa sociedade é patriarcal) AMA culpar as mulheres. Tanto os homens quanto as mulheres são fruto desta sociedade e, assim, boa parte das pessoas de ambos os sexos fica culpando a mulherada por tudo. Para vocês terem ideia: uns meses atrás, li uma entrevista de um escritor gringo sobre depressão. Eu estava achando a entrevista ótima, até que perguntaram para ele por que o mundo atual tem tanta gente deprimida, inclusive criança, ao que ele respondeu mais ou menos assim: “Antes as crianças ficavam em casa e agora tanto o pai como a mãe estão trabalhando”.

Claro, a culpa é nossa. O mundo estava funcionando maravilhosamente bem antes.

Além de mostrar uma total falta de perspectiva histórica, o comentário desse autor mostra essa fixação por culpar a gente: se trabalhamos muito, não somos boas mães, se não trabalhamos pra ficar com os filhos, somos dondocas etc. TEM que se seguir a cartilha: trabalhar um pouco, ficar com os filhos o resto do tempo. Como se isso fosse possível e/ou desejável para todas as mães.

Ah, claro, não nos esqueçamos: além disso tudo, temos que ficar malhadas e com o cabelo lindo. Mas não podemos ser fotografadas na academia ou no cabeleireiro, hein, senão seremos consideradas “frívolas” – já com nosso marido vendo futebol e tomando a cerveja dele, ninguém vai implicar, afinal, é “coisa de homem”.

Apesar de tudo: feliz dia das mães atrasado!

 

 

22 comments to “A vergonha de ter babá (ou a loucura que a mãe moderna virou)”

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  1. Tatah Moraes - 23 de maio de 2014 at 9:39 Reply

    O problema é um pouco mais complexo. No site cienciadoiniciodavida.org vc poderá ler pesquisas recentes a respeito. A criança até os 3 anos não sabe que é separada da mãe. Ela e a mãe são um organismo só. Então, na falta dela é como se ela perdesse um braço ou uma perna. As mães de alguns países desenvolvidos já recebem salários do governo para ficaram com os seus filhos até os três anos. Essa falta cria traumas que vão acompanhá-las a vida toda. O culto da cesárea desnecessária idem. A criança que é arrancada do útero da mãe se a preparação do trabalho de parto não sabe que nasceu e isso tb gera um trauma pra vida toda. Leia o trabalho de doutorado da Dra. Eleanor Luzes. É por essas e outras que temos gerações e gerações de guerras e violências. A coisa não é tão simples assim.
    Mas a culpa não é da mulher. A responsabilidade é de toda uma sociedade que não tem conhecimento do assunto. Não existe culpa.

    • Liliane Prata - 23 de maio de 2014 at 15:09 Reply

      Quando eu era criança, tinha uma vizinha que era mãe, não trabalhava fora e tinha empregada. Ela passava o dia com o filho dela. No entanto, ela passava o dia gritando pela janela, berrando com ele e batendo nele. Se você olhava para o filho dela, percebia rapidamente que se tratava de uma criança muito triste e assustada. Já a minha mãe trabalhava o dia todo. Sempre foi muito claro para mim que passar muito tempo com o filho não é sinônimo nem garantia de nada.

      Acredito que uma mãe precisa ser suficientemente boa. Não precisa ser uma supermãe. Pai e mãe não podem, digamos, ferrar seus filhos. Precisam cuidar dele. Dar amor. Não que, na falta de pai e mãe, a criança esteja condenada a uma vida terrível. Não acho que ninguém está condenado a nada. Mas é claro que a rejeição da mãe pode ter consequências horríveis. Mais consequências do que a rejeição do pai teria? Aí já não me interessa muito. Primeiro porque estaríamos quantificando uma coisa que não sei até que ponto é quantificável. Segundo, e principal, que: vamos supor que fosse provado de maneira irrefutável que o contato com a mãe seja, nos primeiros anos de vida da criança, mais importante que o contato com o pai/tia/empregada. O que vamos fazer a partir disso? Digo, na prática?

      Vamos obrigar as mães a ficarem os três primeiros anos da vida de seus filhos exclusivamente com eles? Mesmo que algumas delas não queiram isso e fiquem com os filhos enquanto gritam da janela? Vamos impedir que as mães trabalhem fora? Mais: vamos criar uma lei para que a mãe que trabalha fora não tenha filho? Dá pra imaginar que autoritarismo e desrespeito à individualidade permeariam essas medidas?

      Não é toda mãe que pode ou quer deixar de trabalhar para ficar com seu filho o tempo todo. É por isso que supervalorizar o papel da mãe pode ser nocivo a ela e à criança. O que a criança precisa, para mim, é estar bem, saber que é amada pelos pais etc.

      Caso verídico para ilustrar meu ponto: V., empregada doméstica, um filho. Ela pede demissão contrariada, dizendo que a mulher que pegava o filho pra ela na escola não vai poder fazer mais isso. Diz que adora o trabalho e não se vê em casa o dia todo, mas tem que pedir demissão. Minha amiga pergunta a ela: “E o seu marido? O que ele faz, mesmo?”, “Ele é pedreiro”, “Mas ele tá em alguma obra agora?”, “Não”, “Por que ele não busca o filho de vocês?”, “Ih, dona Isabella, ele diz que isso aí é problema meu, eu que tenho que resolver.”

      Por último: “É por essas e outras que temos gerações e gerações de guerras e violências”, vc diz. Para mim, a coisa não é tão simples assim, não mesmo. Não acredito em uma chave que solucione todos os problemas do mundo.

      • Alessandra da Rocha Santos - 23 de maio de 2014 at 17:59 Reply

        Muito bom esse texto. E a sua resposta para o comentário foi melhor ainda. Sou mae de um bebê de 1a8m. A criação com apego pra mim faz todo sentido (até hoje tenho dificuldades de lidar com algumas questão da minha infância). Só que me sinto muito culpada por trabalhar ficar mais de 12h pôr dia longe do meu filho. Sendo assim, meu tempo livre é em função dela. Sinto falta de me cuidar mais, de sair com as amigas de vez enquando depois do trabalho e, quando faço, é com muita culpa. O pai é carinhoso, mas tb trabalha longe e fica mais tempo do que eu no trabalho. Nos fins de semana ajuda como sabe ajudar, mas confesso um pouco de dificuldade minha em delegar mãos tarefas pra ele (ainda muito sob influência machista inconsciente). Textos como esse me ajudam a refletir e repensar a minha maneira de lidar com essas questões.

        • Liliane Prata - 23 de maio de 2014 at 18:34

          Que bom que vc gostou, Alessandra. Fico superfeliz, mesmo. É este o objetivo que tenho em mente qdo escrevo textos assim, bem opinativos: expor o que penso sobre questões que considero relevantes, e, com sorte, ajudar as pessoas que leem a refletirem sobre essas questões, concordando ou não com meu ponto de vista. Quanto à sua rotina: bom mesmo seria se a gente não tivesse que trabalhar tanto, né, homem ou mulher! Que raiva que fiquei do cara da FIFA mandando os brasileiros trabalharem. Boa parte de nós trabalha pra caramba, pega trânsito e sofre pra caramba de estresse.

      • vanessa - 7 de junho de 2014 at 8:31 Reply

        Achei a tua resposta muito melhor do que o artigo., que para mim nao disse nada.
        concordo totalmente com vc.

  2. Andreia Rocha - 23 de maio de 2014 at 18:17 Reply

    Guerras e violências são provocadas muitas vezes por pessoas arrogantes, que acreditam ser as donas absolutas da verdade e tentam impor de todas as formas seu ponto de vista. E o que não falta por aí são mães assim, temo pelo caráter desses filhos.

  3. Denise - 23 de maio de 2014 at 20:29 Reply

    Ameeiii o texto.

  4. Alyne Felizardo - 23 de maio de 2014 at 23:57 Reply

    Ha onze anos fui mãe pela primeira vez, em meio a um mestrado e um trabalho desgastante, mas que me traziam muita satisfação. Como foi bom ter a Tia Ana ao nosso lado, dando atenção a Luísa e me teazendo segurança! A Luísa cresceu bem e percebi que o fato de eu estar feliz era relevante na sua vida. Outra lição: o tempo destinado aos filhos não se mede por quantidade e sim por qualidade. Hoje trago essas lições para a vida do Arthur, vivo apaixonadamente a maternidade sem esquecer (e ensinando a eles) que sou alguém e que eles me completam.

  5. Cândida - 25 de maio de 2014 at 13:26 Reply

    Perfeito! Pesquisas, análises…. sempre fizeram parte da evolução do ser humano. Mas daí dizer que essas estabelecem as condicionantes para se encontrar a “chave” para a solução dos problemas, vai uma grande diferença. o bom senso e análise pontual, acredito serem a melhor solução.

  6. ueidner - 31 de maio de 2014 at 18:15 Reply

    santa ignorância, tenho 3 filhos, adultos já pais, todos nasceram de Cesariana e posso garantir que todos tomaram consciência e ter nascido, porque todos foram amamentados, é isto só aconteceu pq nasceram né, e depois a medicina avançou tanto , que acho um absurdo que este avanço não possa beneficiar as mulheres, pq temos de sofrer num momento tão lindo de trazer esta criança a luz. isto tb é machismo. quando as mães trabalham mais dao a seus filhos no tempo livre amor, atenção carinho, educação e valores morais e éticos aonde esta o problema?

  7. Celso - 4 de junho de 2014 at 15:02 Reply

    Li o texto e achei algumas partes muito boas, já outras um pouco carregada de um certo vitimismo.
    Não posso negar aqui o quanto é difícil, custoso (tanto em tempo quanto em dinheiro) e sacrificial ser pai e mãe nos dias de hoje.
    Mas acredito que a maior parte dessa dificuldade é muito mais por conta do modelo consumista e conectado em tempo real, que a nossa sociedade vive nos dias de hoje. O lado patriarcal da sociedade está um nível abaixo disso tudo.
    Somos cobertos diariamente por uma enxurrada de informações (e desinformações) de todo o tipo, ofertas de todo o tipo de produtos que nos fazem acreditar que TER aquilo nos fará sentir melhor e mais feliz, e uma série de pseudo-modelos de como ser uma pessoa bem sucedida nas multi vidas que temos (pessoal, amorosa, profissional, familiar, etc.) através das pessoas que se colocam à nossa frente nos programas de TV, filmes, novelas, sites, revistas e todo o tipo de canal de comunicação.
    E por sentirmos esse vazio tremendo de não estar nunca satisfeitos, procuramos cada vez mais e mais absorver tudo isso e nunca nos damos por satisfeitos.
    Acredito que a mulher, que é mãe, que se sente frustrada por não poder ser aquele modelo de “mulher-mãe-profissional-bem-sucedida-e-resolvida-social-e-financeiramente-falando”, precisa na verdade rever seus modelos, dar menos importância para as questões externas e colocar à sua frente o que a faz feliz de verdade em seus papéis como mulher, mãe, esposa e trabalhadora. Mas isso realmente só é possível a partir de um bom parceiro que a apoie e demonstre firmemente que seja qual for a decisão tomada por ela, estará totalmente amparada pelo seu parceiro.
    Tenho como exemplo a minha esposa. Dias atrás ela veio me perguntar se era muito egoísmo da parte dela desejar não trabalhar mais para poder cuidar melhor de si própria e ter mais tempo com os meninos. Oras! No mesmo instante eu respondi que não … deixei claro que a minha intenção é permitir que a questão dela trabalhar seja uma questão de realização profissional ou sonho/realização pessoal do que por uma necessidade financeira. E deixei claro que para os nossos padrões atuais e para as metas que temos, hoje o trabalho dela é fundamental, mas que se ela optar por mudar tais metas e padrão de vida, estaremos juntos para seguir em frente. Sempre juntos.
    Assim como juntos decidimos desde o nascimento do nosso primeiro filho e passando pelo nascimento do segundo, que precisávamos contar desde cedo com a ajuda da escola e dos nossos pais, principalmente dos pais dela. E não nos sentimos culpados por isso, afinal sempre fizemos buscando o melhor para todos nós. Livres de culpa!
    Por isso mesmo acho que essa questão da sociedade patriarcal já não é mais o fator mais preponderante para o sofrimento da mulher do século 21. Até porque se ainda existem mulheres que se sujeitam a serem humilhadas ou expostas como problema para a família, sinceramente, é por opção.
    A mulher que, desde o tal do século passado, busca sua independência, já passou da hora de se libertar e ser independente … das opiniões, palpites, invejas, preocupações e “orientações” alheias. Liberte-se mulher!

    • Liliane Prata - 4 de junho de 2014 at 15:28 Reply

      Concordo que os modelos precisam ser revistos, mas não acho essa revisão tão simples… Ontem mesmo minha mãe (professora aposentada) veio me contar das mães que são péssimas com seus filhos, deixando tudo a cargo da escola, preparando Miojo pra eles comerem, não checando as lições de casa etc etc. Ela falou por um tempão. Daí perguntei: “Vc só tá falando das mães. E os pais desses alunos”?, “O que que tem os pais? Não sei dos pais”. Papel de mãe superestimado = pai coadjuvante. Claro que não é todo homem que é como meu marido ou como vc parece ser, mas acho injusto (correndo o risco de vc me achar mais vitimista ainda) resumir o peso sobre nós, mulheres, a uma “chavinha” que podemos simplesmente desligar. Demanda esforço, análise crítica e todo um trabalho de exterminar a culpa, no mínimo.

      • Liliane Prata - 4 de junho de 2014 at 15:29 Reply

        PS: mas devo falar que amei seu “liberte-se, mulher”, um dos meus slogans pessoais! haha

      • Celso - 4 de junho de 2014 at 16:03 Reply

        Liliane, concordo que não é fácil essa revisão sobre os modelos que recobrem a sociedade atual, mas é preciso começar. Não por você ou por mim. Ou pela minha esposa ou pelo seu marido. E sim por quem se coloca como vítima da situação a qual se deixou estar.
        Com certeza não deixei claro no meu comentário sobre quem é que se faz vítima no seu texto. Com certeza não é você. E sim a mulher que se permite ser julgada pelos agentes externos que eu citei, os tais modelos que precisam ser revistos. Exatamente como você disse na resposta, é preciso exterminar a culpa. E a própria mulher precisa acreditar em si própria e ir atrás daquilo que a faz feliz. E cobrar.
        O pai não pode jamais se apresentar como coadjuvante na criação, cuidado e educação dos filhos. É exatamente o contrário. Acredito que assim como tudo no relacionamento familiar, é 50-50.
        Vou dar aqui outro exemplo do quanto é preciso essa cooperação mútua pai-e-mãe e se isentar dos fatores externos que possam atrapalhar com outro caso da minha família.
        Tempos atrás, pouco tempo depois do nascimento do meu segundo filho, o meu primeiro filho começou a apresentar um comportamento um pouco diferente, principalmente na escola (que podem me castigar, desde os cinco meses de vida dos dois é em período integral, que terrível somos, não é mesmo?!). Até aí, a associação com o ciúme da chegada do caçula é mais que normal. Mas então veio o gelo. A escola mandou um recado, dizendo que a psicóloga de lá precisava falar com o pai (eu no caso). Primeira reação com o recado? Preconceituoso e machista ao extremo. Onde já se viu? Psicóloga? Não serve para nada, o que ela tem de útil para falar de mim, para mim, sobre o meu filho??? E mais um monte de absurdos, confesso, além dos comentários de outras pessoas de que não deveria ir, que era besteira e por aí vai. Mas parei, pensei e refleti. O que eu tinha a perder não é mesmo?
        Depois de um primeiro momento tenso na chegada para a conversa com a psicóloga, em questão de minutos ela descreveu a minha vida, pela observação do comportamento do meu filho e fui desmontado na hora! E recebi a notícia de que o meu filho estava apresentando um comportamento que lá na frente poderia causar déficit de atenção nele. E que a culpa era minha. E da minha esposa. Mas nessa ordem.
        Mas onde eu quero chegar com tudo isso, sem me alongar ainda mais? Quero demonstrar o quanto o pai exerce papel fundamental para o sucesso ou insucesso dos filhos tal qual a mãe nos dias de hoje. Nem mais, nem menos.
        Somos todos responsáveis, tanto pelo tempo que dedicamos aos nossos filhos, como pela escolha de quem ficará com eles no tempo em que não podemos.
        E devemos fazer o nosso melhor no tempo que dedicamos a eles e fazer as melhores escolhas sobre quem ficará com eles no tempo em que não podemos estar com eles.
        Obrigado pelos textos e sucesso sempre! (em todas as suas múlti vidas …)

        • Liliane Prata - 4 de junho de 2014 at 21:48

          Somos todos responsáveis! Assino embaixo.
          E eu que agradeço pelo comentário, por ter dividido sua experiência e opinião, tkks, tkks :))

  8. Debora - 20 de maio de 2015 at 9:02 Reply

    Bom dia….
    Texto magnifico!! eu faço parte dessas mães…na verdade mais q isso..sou mãe e pai.. tenho uma filha hj com 4 ..outra com 6 e outra com 8…
    Me separei qdo a caçula tinha 6 meses…e o fato de ter ficado em casa e me afastado do mercado enqto casada cuidando das 3 (o ex marido nao aceitava que trabalhasse…afinal, “mulher nasceu pra cuidar da casa e dos filhos”) me prejudicou mto…. tive que recomeçar… com uma criança ainda de colo tive que arregaçar as mangas e ir à luta..pois ele mal ajudava….e n é financeiramente que digo nao…é em tudo!!!
    O primeiro ano foi o mais dificil…. carreguei uma culpa sem fim…de que n podia ir trabalhar e deixar minhas filhas com uma babá…. me dava uma impressão de q n estava desempenhando meu papel de mãe corretamente… mas eu n tinha opção… eu n trabalhava por hobby… trabalhava pq precisava sustentar minhas filhas!!! Resolvi voltar pra faculdade… mais culpa…. resolvi sair uma vez por mes com as amigas…. até que tive uma depressão e crises de choros sem fim, pq nao era uma boa mãe!! Passado mais o menos um ano de td isso…. abandonando a faculdade… me toquei q isso são rótulos ridiculos que as pessoas impõem e aceita quem quer!!! E eu nao precisava me entitular uma mãe menos digna… ou uma mãe desnaturada…. fiz o papel inverso… me “rotulei” como uma mãe moderna…divorciada…que precisa batalhar pra dar o melhor as suas filhas!! que eu era forte demais pra me abater com comentarios que em nada influenciavam a minha vida e nem pagavam as minhas contas!!! Acho que esse negócio de culpa é coisa de mãe… agente sempre acha que nao ta fazendo o suficiente…. mas eu n carrego mais esse peso tao intensamente… minhas filhas me surpreendem o tempo todo!! Dia das mães recebi cartoezinhos em q elas escreveram de livre espontanea vontade que sou a heroína delas….que elas tem orgulho da mamãe… e que eu sou um exemplo pra elas… Querer mais o q?? Trabalho sim.. moito!! Estudo sim.. moito!! e por isso elas podem estudar em uma boa escola…e nao faltar nada… e ainda assim tenho ctz q sou a melhor mãe que eu conseguiria ser !! 🙂

  9. ANDREA - 17 de novembro de 2015 at 20:52 Reply

    Uma babá jamais vai substituir uma mãe. Nunca uma babá vai tratar uma criança como uma mãe. Quem opta por ter filhos tem que cumprir com a sua missão é responsabilidade.Muitas babás além de despreparadas são malvadas.A maioria das crianças se pudessem escolher preferiam estar com as mães em vez de estarem com babás. Esse tempo que se passam com babás é o tempo da infância perdida momento único que jamais voltará. Assistam o filme do youtube :Não sei como ela consegue.

  10. seo marketing - 14 de setembro de 2018 at 4:27 Reply

    Olá, eu curti muіtoo esse post! Parabéns!!

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