Sabe o que é, amor?

breaking-up_web (1)Outro dia, uma amiga minha criou coragem e terminou o namoro de anos. Quando ela me ligou com a bomba, marcamos um encontro para ela me contar tudo. Bom. Chegamos ao restaurante e ela começou a explicar por que tinha tomado a decisão de terminar. Fizemos os pedidos e ela me explicando por que tinha tomado a decisão de terminar. Comemos e ela me explicando por que tinha tomado a decisão de terminar. Sobremesa, café, conta e… bem, você sabe (adoro frases repetidas, mas tem hora que enche). Enfim, quando consegui falar algo que não fosse “claro”, “sei” ou “arram”, eu disse: “Então você terminou porque está a fim de ficar com outros caras”. E aí ela me olhou espantada e falou: “Não é tão simples assim!” E, naturalmente, voltou a me explicar por que… Enfim.

Repare: quando estamos pensando em terminar um namoro, nos perdemos em mil explicações complexas e raciocínios mirabolantes para tentar chegar a uma conclusão. Mas o problema das explicações complexas e dos raciocínios mirabolantes (juro que vou tentar repetir menos frases daqui em diante) é que eles deixam a gente mais confusa ainda. Ainda mais quando TODAS as interpretações que nós (e nossas amigas, claro) fazemos têm sentido. Superempolgadas para compreender o que houve e por que estamos terminando, pensamos coisas como “Éramos muito parecidos e na nossa semelhança ficamos diferentes”, “Deixei de me encontrar em mim, passei a me encontrar nele e, quando percebi que ele não era quem eu pensava que fosse, me perdi” etc etc etc.

O ponto é: será que os namoros acabam por motivos complexos mesmo ou… eles geralmente acabam por razões simples e a gente complica um pouco? Não estou dizendo que as pessoas terminam um casamento porque o cara não gosta de suco de laranja, mas que o motivo pode ser resumido em uma linha. Ou duas, vá lá. E que é tãão difícil nos contentarmos com a simplicidade do motivo do término que… preferimos passar meses aflita, debatendo mentalmente todos os porquês e depois repassando as densas conclusões para todo mundo.

Assim, aproveito para explicar as razões simples e universais para alguém decidir por um fim no namoro. Não que elas sejam comprovadas cientificamente, claro. Mas é como eu sempre digo: não é comprovado cientificamente que chocolate dá espinha e dá, sim. Bem, sem mais enrolação, aí vão os motivos: eu não gostava mais dele ou tudo que ele fazia estava me irritando/a gente brigava muito e eu me enchi/conheci outra pessoa/ele pisou na bola e não quero mais ver a cara dele/quero liberdade de ficar com outros/ele morava longe ou ele não me dava atenção/não tínhamos tanta química, se é que você me entende/eu o amava, mas não estava feliz com ele, vai saber por quê. Aliás, esse último motivo meio que sintetiza todos: terminei porque não estava mais me sentindo feliz com ele. Fim!

(Se você pensar em outro motivo diferente desses, mas outro motivo mesmo, que não seja só uma variação desses, me mande um e-mail. Se eu não responder, é porque fiquei meio sem graça!)

* Esse meu texto foi publicado na revista Capricho quando eu era colunista de lá

 

13 comments to “Sabe o que é, amor?”

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  1. Alexia - 4 de abril de 2014 at 14:59 Reply

    Amos seus textos! E os leio desde os tempos de CH. rs
    Hoje ouvi alguém dizer na TV que “o amor liberta, não aprisiona”. Quando a pessoa está se sentindo presa com a outra, é um bom motivo pra terminar! 😉

    beijos

  2. foo - 4 de abril de 2014 at 15:13 Reply

    todas as razões que vc listou são bem superficiais e pedem um “porque”.
    tudo que ele fazia te irritava… pq?
    a gente brigava muito, pq?
    conheci outra pessoa, pq?
    quero liberdade, pq?
    etc.

    não entender os porquês fará velhos erros se repetirem.

    • Liliane Prata - 4 de abril de 2014 at 17:27 Reply

      Verdade, os porquês são infinitos… Às vezes os motivos mais profundos são inatingíveis. Mas qto a isso de ver onde errou, sei não, viu. Cada vez mais acho os relacionamentos tão particulares que fica difícil comparar. A não ser motivos óbvios, né: “da próxima vez, não vou bater nele”.

      • foo - 4 de abril de 2014 at 18:31 Reply

        os “porquês” são importantes porque boa parte da lista de motivos que vc fez dá a entender que o problema está sempre no outro, o que é bem narcisista, quando na verdade pode estar em vc.

        tudo que ele fazia te irritava –> ele é irritante
        a gente brigava e eu me enchi –> ele causava as brigas
        ele pisou na bola –> autoexplicativo
        ele não me dava atenção –> idem

        se vc acha que as razões estão sempre no outro provavelmente não está vendo os seus próprios defeitos, e não vai entender as situações nas quais se mete.

        • Liliane Prata - 4 de abril de 2014 at 18:45

          Não gosto da palavra “defeito”… Pra mim, é uma questão de compatibilidade. Quem não tem uma relação harmônica com um pode perfeitamente ter com outro.

  3. Beatriz - 4 de abril de 2014 at 15:19 Reply

    Acho que um “Queríamos coisas diferentes” deve ser incluído. Mas você sintetizou tudo muito bem mesmo! (como sempre, aliás)

  4. Gabi - 4 de abril de 2014 at 15:21 Reply

    Lili, amo seus textos e te acompanho deeeesde a época da Capricho! Beijão!

  5. Iélison Barbosa - 4 de abril de 2014 at 17:13 Reply

    Me parece que as pessoas têm medo de resumir tudo numa só frase ou duas. Como se isso fosse simplificar demais também aquilo que você viveu com outra. Dizer “Não está mais rolando”, “Não quero mais estar nesse relacionamento”, “Quero outra(s) pessoa(s)” talvez seja muito direto.

  6. Jéssica - 20 de abril de 2014 at 16:52 Reply

    gosto desse texto da capricho e ainda tenho ele guardado. não só ele, mas também todos os outros! você poderia postar “sobre mecânica quântica e fé”. é um dos meus preferidos, ficaria feliz (:

  7. Isadora - 27 de abril de 2014 at 0:13 Reply

    Liliane, lembro que há alguns anos atrás eu esperava ansiosa pela sua coluna na Capricho. Lia a revista de trás pra frente. Que nostalgia boa ver um texto daquela época!

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