Capa de "O Novo Mundo de Muriel"

Muriel: a história por trás

thumb150x233__201305031713150.novo mundo de muriel,OUm livro de ficção sempre conta uma história. E, por trás dessa história, sempre tem outra – a do autor escrevendo aquele livro.

Quando vejo, do meu lado, a pilha de livros impressos, prontos, novinhos, na caixa que a editora Planeta me mandou semana passada, até demoro um pouco para me lembrar de como era esse livro antes de se separar de mim e ir parar na caixa. Mas lembro.

O livro que estou lançando: O novo mundo de Muriel (que chega às livrarias esta semana!). A história dele, já conto. Eis, primeiro, a história por trás dele:

Em 2009, eu estava escrevendo À revelia. Era um desafio para mim, porque eu queria usar uma trama simples para falar de grandes temas (paixão, dúvida, inquietação, modos de se ver o amor) num tom mais neutro (e não engraçado e despretensioso, como eu estava acostumada), e, ao mesmo tempo, era muito importante para mim que a leitura do livro fosse fluida, fácil. Ou seja, eu queria um romance leve e rápido de ler, mas com certa profundidade, e me inspirava em autores que fazem isso com maestria, como Ian McEwan, Philip Roth, Richard Yates, Mario Benedetti.

Bom. Nessa época, eu estava na metade do curso de filosofia e pegando algumas matérias de antropologia na faculdade, como ouvinte. Por causa dessas matérias, comecei a ter a ideia de uma menina que tinha ido parar em outro mundo: Landim. A partir dessa experiência, a menina ia desenvolver um novo olhar sobre “o outro”, ou seja, aquele que é diferente de nós – que pode tanto ser alguém de uma tribo da Tanzânia como o novo vizinho do andar de cima.

Só que eu me sentia um pouco contrariada. Eu sentia que seria um desafio e tanto escrever este livro, mas sei lá, sabe como são as ideias, temos as nossas preferidas e eu, no momento, estava preferindo outras: escrever meu À revelia e pensar num outro livro adulto na sequência (que de fato eu acabaria escrevendo, e vai sair ainda este ano, também pela Planeta, mas depois falo dele).

MAS (agora vem a parte afetada) o livro de Muriel ficou insistindo para ser escrito. Insistindo. Insistindo.

Eu pensava em Muriel quando estava dirigindo, tomando banho, acordando, durante a aula (quando eu deveria estar prestando atenção na aula, mas tudo bem).

Quando me dei conta, eu estava numa luta interna entre não escrever este livro e precisar escrever este livro mais do que qualquer outra coisa. E todo mundo sabe como é quando temos uma vontade enorme: chega um momento em que a gente desiste e cede, porque não dá mais.

Só sosseguei quando escrevi uma sinopse bem detalhada de Muriel, de várias páginas. Claro, no fim das contas, muita coisa fugiu do que eu previa na sinopse, mas o roteiro estava lá, pronto para ser seguido, e fiquei bem mais tranquila. Assim que terminei À revelia e antes mesmo de começar a revisá-lo, comecei a escrever Muriel (que, aliás, na sinopse, tinha sido batizada de Mariana) e fui ficando cada vez mais empolgada com o livro, a ponto de sonhar várias vezes com ele.

Muriel é muito importante para mim. Li, reli e revisei este livro dezenas de vezes, e mal acreditei quando o vi pronto, chegando aqui em casa.

lili 02Para mim, O Novo Mundo de Muriel é um livro de fantasia, mas não é exatamente sobre reis, seres mágicos, pessoas com línguas e costumes diferentes ou guerras sangrentas (apesar de ter tudo isso na história). É um livro de fantasia cuja maior acontecimento se passa no interior da protagonista: de alguém que vê como exótico e até mesmo inferior quem pensa diferente dela, Muriel se abre para uma experiência antropológica – a de tentar ver o outro com o olhar do outro. A partir disso, a protagonista vai refletir sobre muitas questões – relacionadas a Landim e ao nosso mundo também.

Em Muriel, busquei juntar entretenimento a reflexões sobre a condição humana: todos somos diferentes um do outro, mas há algo que seja comum no meio dessa diferença toda? Há verdades universais? Ou de universal, mesmo, só o relativismo? A partir dessas questões, Muriel começa a pensar sobre assuntos como violência e direitos humanos.

E começa a enxergar as coisas de um jeito diferente.

É isto que o leitor vai acompanhar ao longo do livro: a experiência vivida por essa garota de 16 anos que, um dia, vai ao banheiro e se vê arremessada para outra realidade.

Espero que gostem!

Aqui tem a sinopse do livro e dá pra baixar o primeiro capítulo!

13 comments to “Muriel: a história por trás”

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  1. Jéssica - 8 de maio de 2013 at 0:08 Reply

    Adorei, lili. Final de semana tô indo na Saraiva encomendar o meu!

  2. Bruna - 9 de maio de 2013 at 16:28 Reply

    Lili, te acompanho deeeesde a época da Capricho. Te admiro muito e já quero MUITO ler o livro novo. Boa sorte! Que seja mais um sucesso.

  3. Isa Maiolino - 9 de maio de 2013 at 16:59 Reply

    Nossa Lili, pago muito pau pra você.

  4. Anya - 9 de maio de 2013 at 22:47 Reply

    Só eu achei que muriel era um nome masculino? rs

  5. Muriel - 10 de maio de 2013 at 0:27 Reply

    Amei o nome, amei como vai ser a história! Louca para ler <3

  6. Isabella - 22 de maio de 2013 at 21:37 Reply

    Parabéns, Lili. Uma pena que eu não pude te dar um abraço hoje… Seria incrível te conhecer e conhecer a Isa Maiolino… 😉

    Sabe, eu já sou sua fã há muito tempo (mais de década)… Meu namorado fez Fillosofia na USP e me disse que, para terminar o curso em menos de 7 anos, só sendo muito gênio. Contei que não só você terminou no tempo dos gênios como continuou trabalhando annnnd teve uma filha no meio do caminho. hahahaha. Impressionante. Até eu me surpreendi. Parabéns pelo livro, pelas escolhas, pelas boas palavras. Muito sucesso!

    Estou curiosa para ler o livro! Passo aqui para contar como foi.

    Grande beijo!

    • Liliane Prata - 28 de maio de 2013 at 10:56 Reply

      Obrigada, Isabella!! Já fui algumas vezes no seu blog e gosto muito! Quanto ao curso, eu não diria que tem que ser gênio, mas muito, muito animado! Porque olha… Seu namorado sabe! Haha! beijos

  7. Adriele - 4 de outubro de 2018 at 21:50 Reply

    Eu sei que essa é uma postagem beeem antiga. Mas eh acabei de ler esse livro e gostaria muito de saber se a autora pretende escrever uma continuação, contando a visão de Kajaia e Lor após o final. De qualquer forma, adorei a leitura!

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