Em defesa das generalizações

GeneralizationOutro dia, eu estava conversando com uma amiga de uma amiga. Essa menina é linda, mas linda mesmo: daquele tipo que nos hipnotiza, fazendo com que a gente perca a concentração no assunto (não, eu não sou lésbica). Bom, daí ela começou a comentar que estava p. da vida com o fato de as pessoas acharem que ela é meio burra, antes mesmo de conhecê-la. “Só porque sou bonita, pensam isso? Fico revoltada com essas generalizações!”, ela disse, pobrezinha. Mas comovente mesmo é a situação das generalizações. Como essa garota, muita gente tem raiva delas. Afinal, é chato ser reduzido assim: linda e burra, mulher e emotiva, estudante de matemática e nerd. Legal mesmo é ser conhecida como Isa, do primeiro ano, que tem uma pinta na testa, gosta de maracujá e odeia frescobol. Mas o interessante das generalizações é que elas… bem, elas funcionam.

Tudo o que quero dizer é que elas não foram criadas do nada, certo? Deve haver um número expressivo de estudantes de matemática que sejam nerds. A gente costuma ver mais mulher chorando do que homem (por mil motivos, mas não vou falar nenhum, ok?). E, claro, tem muita modelo que sabe mais marcas de maquiagem do que capitais de países.

Mas e aí, como ficam os estudantes de matemática que têm vida além do computador, as mulheres duronas e as modelos cultas?

Passam raiva, ué. As generalizações muitas vezes estão certas, mas não dão conta de todos os casos particulares. Afinal, como o próprio nome diz, elas tratam do geral. É assim com qualquer rótulo. Música sertaneja é ruim, garotos gostam de futebol, baratas são nojentas. Você sempre pode gostar de uma música sertaneja X, conhecer garotos que não curtem futebol e ser cativada por uma barata específica (ok, isso não vai acontecer).

De qualquer forma, rótulos limitam, prendem, reduzem. E é muito triste quando alguém sempre concorda com eles, ignorando as particularidades de cada caso. É o velho preconceito e tal. Mas quero falar aqui do contrário: ao mesmo tempo em que os rótulos limitam, prendem, etc, também facilitam a vida, porque ia ser inviável conversar sobre as pessoas, as crianças, os cachorros, as árvores, os professores e as viagens sem usar generalizações. Ah, e boa parte das piadas não teria graça. Imagine um mundo só com casos particulares: você nunca poderia falar que adora gatos, mas que adora o Matias, o Pompom etc. Você não ia tirar conclusões a partir das suas experiências, porque cada experiência seria única. Você também…

Bom, chega de delirar. Meu conselho para quem passa o mesmo que a garota-maravilha e não se encaixa na generalização mais provável para o seu caso é: respire fundo e deixe para lá. Mesmo. Por mais diferente que você seja da generalização, você não vai mudá-la, porque ela não é baseada só no seu caso. Então, para que esquentar a cabeça? Se você é linda e inteligente, não basta que seu namorado, sua família e seus amigos saibam disso? Eles sim, frequentam seu mundo particular. As demais pessoas, que generalizem. E daí? Todo mundo faz isso. Como estou fazendo agora, falando que todo mundo faz isso.

* Esse meu texto foi publicado na revista Capricho quando eu era colunista de lá

7 comments to “Em defesa das generalizações”

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  1. Jaqueline Bellizario - 4 de maio de 2013 at 21:30 Reply

    Ai, todo mundo morre de saudades da sua coluna na capricho !!! #generalizando ahahahahah. Enfim, eu morro de saudades. Adoro seus textos li !!!

  2. Sol - 5 de maio de 2013 at 1:20 Reply

    Oi Liliane!
    Queria dizer que adoro seus textos…desde as colunas na Capricho, isso há algum tempo atras rs quando eu ainda era adolescente! Desde então virei sua fã…um pouco relapsa,mas nunca te esqueço!E hoje, num insight “vou ler o blog da lili prata” cheguei novamente aqui.
    Adorei o “novo” blog…sempre ótimo…
    Sucesso

  3. Beatriz - 6 de maio de 2013 at 17:49 Reply

    Uma das melhores partes dos meus, sei lá, 13 anos, era ler as suas colunas e achar que você bem podia estar escrevendo diretamente pra mim. E aposto que meu caso dá uma generalização sem erro.
    Mas o que queria saber de verdade é: quando “Uma bebida e um amor…” vai entrar em catálogo de novo? Tá difícil conseguir um exemplar! =/

  4. Nataly - 7 de maio de 2013 at 9:45 Reply

    Adoro entrar aqui e ver que tem um texto novo, mesmo que esse texto seja “velho”.

    😀

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