Estamos presos

Como muita gente, senti um mal-estar ao pensar nas condições sub-humanas a que são submetidos alguns costureiros que trabalham para a Zara.

Isso foi hoje de manhã, tomando café, lendo a Folha – não sei por que espalharam por aí que jornal e café da manhã combinam. Lembrei do trabalho infantil associado à marca Nike, na China, se não me engano, alguns anos atrás. Pensei: basta. Chega de comprar roupas de grandes manufaturas. Porque o problema não é só da Zara nem só da Nike, o problema é da lógica da produção em larga escala – custo baixo, lucro alto, vamos lá encontrar algum país latino-americano ou asiático e mandar bala – e refrigerante, e bolsa e qualquer coisa produzida em grande quantidade.

Vou dar preferência a roupas de pequenas manufaturas, pensei, terminando meu café. Eu já tinha pensado nisso antes, já tinha pensado que faz mais sentido incentivar pequenos empresários, pequenas empresas. Não vou fiscalizar a manufatura delas, mas elas produzem poucas peças, não fabricam nada insanamente, não escravizarão trabalhadores no Bom Retiro nem em lugar algum. E para que me limitar a roupas? Eu sei em que condições trabalham os operários da linha de produção da, digamos, Nestlé? Não, não vou comprar mais chocolate da Nestlé, vou comprar chocolate caseiro, trufas caseiras, aqui perto de casa tem uma simpática senhora que vende trufas deliciosas.

Já na hora do almoço, eu me lembrei dos botões, dos zíperes e dos tecidos. Malditos botões, zíperes e tecidos. E havia também as embalagens. As embalagens, meu Deus! Liguei para uma amiga estilista que definitivamente não produz em larga escala: quem produz os botões que você usa para costurar suas roupas? Os zíperes? Os tecidos? Onde você adquire as embalagens? Ela me deu o nome de alguns fornecedores. Fiquei feliz de ver que o fornecedor de botões era uma pequena fábrica em São Paulo, que aparentemente não escravizava ninguém. Mas aí pensei: o plástico dos botões. De onde vem? Quem é o fornecedor do fornecedor? E o fornecedor das máquinas das fábricas? Algo me diz que aqueles parafusos vêm da China. Ninguém me garante que não haja uma criança envolvida na linha de produção daquele parafuso. Ou um trabalhador adulto com dez minutos de almoço.

E aí adocei meu café com açúcar. E aí acabou tudo. Porque me lembrei do cortador de cana. Do cortador de cana que vive em péssimas condições, trabalha em péssimas condições e tem que se aposentar aos 30 anos por invalidez.

Claro que, a essa altura, a possibilidade de todo o chocolate consumido aqui em casa vir da simpática senhora das trufas estava descartada. Porque ela usa o açúcar desse cortador de cana. E, pensando bem, a trufa dela lembra o gosto da Nestlé. Para produzir suas trufas caseiras, ela deve derreter barras de chocolate Nestlé no forno de microondas dela produzido em larga escala pelos operários coreanos, chineses ou sei lá de onde da Panasonic.

À tarde, no banho, eu já tinha desistido do meu plano inicial de boicotar as grandes manufaturas de roupa.  Mas eu não tinha me dado por vencida: consumir menos. É por aí que a solução passa: consumir menos.

Mas aí pensei: se todo mundo resolve fazer isso, não estouraria uma crise econômica mundial ainda mais grave? Não entendo muito de economia mundial, para falar a verdade, entendo cada vez menos; não conheço nenhum economista para conversar sobre isso, talvez as opiniões deles se dividam sobre essa questão, mas ali, no meu banho pessimista, eu só conseguia pensar: consumir menos é gerar menos empregos, é piorar ainda  mais as coisas.

Agora há pouco, depois do jantar, vestindo meu casaquinho Zara por cima do meu pijama, tomando  meu chá com açúcar, pensei: estamos presos.

Tem dia em que estamos amargos, em que nem banhos nem chás melhoram as coisas para a gente, e ali, no sofá, eu só consegui pensar isto: estamos presos.

Estamos presos e qualquer coisa que façamos para tentar nos libertar só vai servir para, no máximo, deixar nossa consciência mais leve. Não vai mudar o modo como as coisas funcionam porque não é assim que se muda o modo como as coisas funcionam. Eu não sei como se muda o modo como as coisas funcionam. Mas algo me diz que não é parando de adoçar nossos cafés que transformamos a história.

E não me venha falar em revolução socialista. É tarde demais para acreditar em revolução socialista. Eu nem sei se acredito mais em revolução, qualquer uma que seja. Eu queria acreditar em um capitalismo menos selvagem, mas não sei como e se isso seria viável. Talvez se tivesse menos gente no mundo. Menos gente no mundo, menos consumo, menos emprego, menos lixo. Talvez, um dia, a população encolha, talvez voltemos a produzir nossas roupas e trocá-las por comida em feiras de comércio, talvez voltemos a ser índios, talvez a história retroceda.

Retroceder para avançar: será? Não acredito nessa ideia. Eu queria acreditar, para acreditar em alguma saída, mas não acredito. Minha sensação continua a de depois do jantar: estamos presos.

Mas então não vou fazer nada? E, no fim do ano, vou lá conferir a liquidação da Zara?

É por isso que, cada vez mais, acho que não é que os jovens de hoje estejam desinteressados pela política. Dizem muito isto dos jovens de hoje: são desinteressados pela política. Mas talvez não seja desinteresse, mas uma forte sensação de impotência.

Se me sinto impotente, continuo usando meu casaco da Zara e ouvindo minhas músicas no iPod, fechado para o mundo lá fora, esse mundo que me parece nublado, confuso e insolúvel.

Adoçando minhas bebidas, consumindo o que puder não para me sentir feliz, mas para aplacar minha angústia. Angústia pela minha impotência, minha e de todos os consumidores.

Termino a crônica sem uma conclusão – como essa questão termina para mim no final do dia.

UPDATE 19/08: acordei mais otimista, pensando que, se a solução para as condições trabalhistas desumanas não passa pelo tal do “consumo consciente”, passa pela política e pelo judiciário. Embora essa forte sensação de impotência e de que o mundo anda tão complicado desmotive tantos a se engajar na política, inclusive eu, acredito que seja por aí.

27 comments to “Estamos presos”

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  1. Erick Vinicius - 18 de agosto de 2011 at 23:27 Reply

    Nunca vou entender sobre economia mundial, tampouco sobre política. Eu tenho 18 anos e por mais que queira entender sobre questões políticas, eu ainda fico meio perdido. “Estamos presos” naquele pensamento de que “todo político é corrupto” e só!
    Quanto a boicotar empresas feito a Zara, é exatamente isso que você falou, tem tanta gente por trás. Apesar do trabalho em péssimas condições, talvez tenha sido o único que a pessoa conseguiu. E os outros subordinados? Como eles ficam? No entanto, o maior erro é algumas pessoas verem isso mas nem se questionarem , ou refletirem a respeito.

  2. jv - 19 de agosto de 2011 at 10:42 Reply

    o problema do raciocínio “não vou mais comprar XYZ” está em achar que se pode mudar o mundo através do consumo, ou do não-consumo. vc pode ficar com a sua consciência mais leve, mas não vai mudar as coisas.

    não vale nem a pena perder tempo na hipótese “se todo mundo resolve fazer isso”: é uma hipotése falsa, isso nunca vai acontecer. ainda mais numa sociedade consumista.

    a melhor solução está em políticas. fiscalização. multas. leis. não funciona 100%, mas ainda é o melhor que temos.

    • Lili - 19 de agosto de 2011 at 10:50 Reply

      Concordo. Jon Elster, um filósofo norueguês, falando sobre eleições, dá esse argumento do raciocínio “se todo mundo fizer” ou “se todo mundo deixar de fazer”: segundo ele, não é um argumento racional, pq isso simplesmente não vai acontecer, como vc diz 😉

  3. Adriana - 19 de agosto de 2011 at 12:28 Reply

    Para quem não sabe sou formada em Direito há um pouco mais de 6 anos, durante esse tempo fiz pós em direito do trabalho, advoguei por 3 anos e trabalho há mais de 3 no Tribunal… ou seja, o blog é só passatempo mesmo!

    Durante todo esses anos jurídicos aprendi duas coisas, a primeira é que não se chega a nenhuma conclusão correta ouvindo apenas uma parte e a segunda é que não devemos acreditar em tudo o que lemos. Não estou aqui para defender, nem condenar a Zara, mesmo porque juridicamente falando nada foi comprovado para ambos os lados, mas tenho que assumir que o rumo dessa discussão tem me deixado um pouco preocupada!

    Acho que as pessoas estão confundindo um pouco os conceitos nessa história, vejo muita gente indignada porque paga R$ 150,00 em uma peça que custou R$ 2,00 para confeccionar, mas poucas que realmente estão preocupadas com a seriedade da discussão.

    Digo isso porque, a prática de terceirização adotada pela Zara, e por quase todas as grandes redes de vestuário, funciona assim mesmo, não vale a pena, financeiramente falando, manter uma fábrica cheia de funcionários… isso vai encarecer os custos da produção e diminuir os lucros das empresas. Por isso, as empresas contratam empresas terceirizadas, que por sua vez vão contratar mão-de-obra barata e garantir que o preço do produto seja baixo.

    Independentemente de ser justo ou não o preço cobrado pelas peças, mão-de-obra na área de confecção é mesmo muito barata, e de fato, não é digno pagar R$ 2,00 pelo trabalho de alguém, mas aqui ainda é possível ver uma certa autonomia dos empregados, apesar do baixo valor, não há qualquer ilegalidade na contratação.

    Situação bem diferente é o “truck system”, a chamada escravidão moderna, onde a grosso modo, os empregados basicamente trabalham para pagarem suas dívidas com o empregador, eles geralmente são trazidos de outras regiões e já chegam devendo o valor da passagem, hospedagem, comida e outros gastos pessoais, no fim trabalham, mas não recebem um tostão.

    Agora resta saber o que realmente aconteceu e até que ponto a Zara tinha conhecimento das práticas de suas terceirizadas. Acho que se ficar comprovado efetivamente que houve “truck system”, todos devemos colocar SIM a mão na consciência e rever nossos valores, meu guarda roupa vale mais do que tratar dignamente as pessoas?

    Antes que alguém fale, não acho hipocresia me insurgir contra esse tipo de situação, não é porque sei lá quantas empresas fazem esse tipo de coisa que vou assistir e aceitar! Também não acho que alguém precisa ser beato ou canonizado para ter direito de discordar de uma situação, eu não consumo e não defendo empresas que exploram mão-de-obra escrava! E se a Zara fez isso… perdeu uma cliente, por mais que alguém pense que tanto faz, que sou apenas uma pessoa perto dos milhões de clientes da Zara, não me importo, para mim basta minha consciência tranquila.

    Me recuso a aceitar uma situação absurda dessas e partir para o “já que tá tudo errado, vou fazer tambéml!”

    • Lili - 19 de agosto de 2011 at 18:29 Reply

      Obrigada pelo comentário, Adriana! Tb penso muito neste ponto: não posso controlar as condições da mão-de-obra de toda empresa, mas, uma vez que tenho conhecimento sobre as práticas desumanas de determinada empresa, não faz mais sentido que eu boicote essa empresa? Não é melhor que nada?

  4. Sybylla - 19 de agosto de 2011 at 12:28 Reply

    Excelente texto!

    Estamos mesmo presos. Uma impotência que nos imobiliza pois não temos para onde correr nem como fugir do consumo. As cadeias produtivas estão tão entrelaçadas e interdependentes, que parece não haver maneira de fugir deste loop.

    Como disse, política e justiça devem interceder para forçar uma mudança que possa desonerar o consumidor. Uma briga longa, a meu ver.

    Abraço!

    • Lili - 20 de agosto de 2011 at 10:52 Reply

      É o que penso, uma briga longa e que parece tão complicada que acaba me dando uma falta de esperança, às vezes… sentimento ruim…

  5. Gui O.A. - 19 de agosto de 2011 at 13:09 Reply

    EXCELENTE TEXTO!!!!
    E tudo envolve política, altos impostos, consumismo e querer ganhar sempre.
    Será que perguntaram aos bolivianos se eles querem voltar para casa?!

  6. Suiane - 19 de agosto de 2011 at 14:54 Reply

    Concordo com vc, estamos presos.

    Mas discordo quando diz que boicotar essas empresas só serviria para aliviar sua consciência e nada mudaria pq outras pessoas continuariam comprando. Acho justamente o contrário, continuar comprando pq todo mundo está comprando e nada mudaria é que serve para aliviar sua consciência.

    Acho que o caminho para mudança é sim consumir menos e conscientemente, aliado a forte fiscalização e talvez a criação de um selo “livre de trabalho escravo”.

    Será mesmo que se o consumo diminuísse o mundo entraria em crise? Talvez, e a consequência seria que muitas pessoas perderiam o emprego. Mas realmente seria ruim que uma pessoa escravizada perdesse seu emprego?

    Quando o consumo globalizado entra em crise a solução é estimular o consumo local para a crise não aumentar. Estimulando o consumo local vc dá a chance de pequenos produtores, que produzem de forma justa, se desenvolverem e gerarem empregos justos para essas pessoas antes escravizadas.

    Quem sabe nem sempre tenhamos escolha, mas entre comprar uma peça da Zara, ou outra grande marca, onde vc sabe que existem grandes chances de haver trabalho escravo no processo, ou comprar uma peça da sua amiga, que talvez tenham alguns componentes que ela não tenha como controlar, mas gera mais empregos justos, qual vc escolheria?

    Escolher não fazer nada pq o resto do mundo não está nem aí é escolher estar preso. Eu faço a minha parte e não estou nem aí se o resto do mundo não está fazendo nada. Pelo menos a minha consciência está tranquila. De verdade.

    • Lili - 19 de agosto de 2011 at 18:25 Reply

      Questões complexas… Quanto à pessoa escravizada perder seu emprego e ficar sem teto, sem comida, supondo que ela fique assim… Talvez o emprego seja melhor do que essa opção, e é justamente por isso que ela se mantém lá (no caso desses empregos análogos à escravidão, mas em que os empregados não contraem dívidas e, portanto, são livres para sair e procurar outra opção. E qdo não há opção?)

  7. Muriel Flávia Godoi - 19 de agosto de 2011 at 17:16 Reply

    Boa tarde, achei o texto muito bom e aproveite para copiá-lo no meu facebook com as devidas referências.
    Caso se incomode com isto eu retirarei imediatamente.

  8. Vanusa - 21 de agosto de 2011 at 17:09 Reply

    Perfeito seu texto!!

  9. Wilma - 22 de agosto de 2011 at 9:17 Reply

    Pouco entendo de economia,mercado, política de preço, mas uma coisa eu entendo: cada trabalhador tem o direito de ser remunerado para ter dignidade de vida, se ele trabalha por um preço que não lhe dá o direito de ter o básico que é comer,vestir e morar, já está errado. Não aceito que a Zara ou qualquer outra empresa diga que não saiba que seus produtos são a custas de trabalho escravo, isso não se admite nos dias de hoje, o problema é duplo a meu ver, a Zara ou qualquer outra se esconde nessa terceirização que explora mão-de-obra, na verdade ambas estão atrás do LUCRO EXCESSIVO a custas da miséria alheia. E isso tem que começar a mudar e pra ontém, porque é muito indigno alguém tirar proveito de outrem que não tem escolha e nem opção, para se ter uma sociedade saudável, não violenta é preciso que se respeite a DIGNIDADE HUMANA porque a resposta virá a galope, aliás, está vindo…

  10. Caroline Giacomet - 22 de agosto de 2011 at 14:54 Reply

    AMEI O TEXTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Sério, disse tudo o que eu pensava mas não conseguia exprimir. Cortar a Zara de nossas vidas até podemos, mas isso é um paliativo super frágil!!

    Sempre penso que ando muito apática, politicamente e economicamente falando, mas agora que tu pontuou, sei que o que me toma é essa imensa impotência.

    Já compartilhei horrores, ok?!?!

  11. Ana - 22 de agosto de 2011 at 21:50 Reply

    Entendo menos ainda de política ou economia, mas incrível essa linha de reflexão tão humana. Aquele desejo de mudar as coisas, sem saber o que realmente é eficaz. Realmente, é complicado concluir essa questão. Adorei o texto!

  12. carla abreu - 30 de agosto de 2011 at 22:27 Reply

    ainda tem a sensação de se estar a escrever em um computador produzido por tal marca, que explora tais trabalhadores, publicando através da internet, que assinamos com uma empresa de tantos funcionários etc… não para nunca! e se estamos presos e o consumo consciente não serve para muita coisa, pelo menos não estamos alheios ao problema. acho um pequeno – mas importante – passo! : ) o mais legal é que você vai passar isso para sua filha, prova de que a geração dela pode fazer algo! ótima reflexão. você é uma verdadeira filósofa! ; )

  13. Leandro - 5 de setembro de 2011 at 19:33 Reply

    No seu mundo confortável, “angustiada” com as mazelas do mundo enquanto toma café, seria realmente praticamente impossível acreditar em uma revolução socialista. Sim, cara Lili, como acreditar numa revolução socialista enquanto acredita que é possível mudar o sistema por dentro, que é possível humanizá-lo? Me desculpe, mas me parece muito mais ingênuo cogitar a hipótese de mudar os rumos do capitalismo incentivando o consumo responsável do que acreditando na revolução, no socialismo. A revolução está em todo lugar. O que transformará a revolução em realidade é justamente o seu poder de se alastrar pelo mundo inteiro. A revolução, já dizia Trótski, deve ser internacional. Ou por acaso o capitalismo abrange apenas alguns países? Não! O norte da África está sendo varrido por processos revolucionários. A América Latina, no início dos anos 2000, passou por um forte processo revolucionário, infelizmente sufocado pelos governos de Frente Popular (Evo, Chavez, Lula). Há muita superficialidade nesse seu texto. Infelizmente, num simples comentário, não conseguirei traduzir toda a minha decepção com esse pensamento pequeno-burguês.

    • Lili - 6 de setembro de 2011 at 9:48 Reply

      Leandro, realmente não sou uma revolucionária. Talvez eu seja resignada demais nesse sentido; talvez simplesmente não acredite que uma revolução seja uma chave para a felicidade coletiva, se estamos falando, em última instância, de felicidade. Se for uma chave, é uma chave muito sanguinária, por sinal, e meu mal-estar com revoluções talvez já comece aí. Agora, duas observações: pensamento “pequeno-burguês”, além de desnecessariamente ofensivo, é um termo anacrônico demais. E vc disse que é ingênuo “cogitar a hipótese de mudar os rumos do capitalismo incentivando o consumo responsável” – ora, é exatamente essa a conclusão do meu texto. Só que meu texto acabou sem saída, sem acrediar no consumo responsável nem em outra coisa para colocar no lugar.

      • Leandro - 7 de setembro de 2011 at 19:45 Reply

        Sim, Lili. Sei que é essa a conclusão do seu texto. Entretanto, considero um desserviço tal hipótese, mesmo que refutada no fim do seu texto, ainda mais não apresentando outra alternativa. E não se sinta ofendida com o termo pequeno-burguês. Em hipótese nenhuma, deve se sentir ofendida. Não é pejorativo. Procure o significado e entenderá. Engels, parceirão de Marx, era filho de pais pequeno-burgueses. Ele era pequeno-burguês. E mesmo assim serviu de referência para revolucionários como Lênin e Trotski. Quando disse isso, quis dizer exatamente que, salvo exceções, o perfil de um pequeno-burguês é justamente não encontrar saída e acreditar que é possível mudar por dentro do sistema, com ações individualizadas.
        Quanto às revoluções serem sanguinárias, há outra alternativa de tomar o poder? Os responsáveis por causar hoje todo o sofrimento à maior parte da população não entregarão toda a riqueza produzida pelos trabalhadores de mão beijada. Temos que ter consciência de que a história da humanidade é a história da luta de classes. Hoje, o poder está nas mãos de uma minoria. Temos que lutar que esteja nas mãos da maioria. Mesmo que para isso, durante a transição, haja derramamento de sangue. Afinal, dá para ter pena de Kadhafi? Mubarak? E me desculpe por qualquer impressão negativa. Apenas queria contribuir para o debate.

        • Lili - 8 de setembro de 2011 at 9:56

          Oi, Leandro. Gostei dessa definição de pequeno-burguês (embora ainda ache que não me encaixo bem, por não acreditar no poder dessas ações individualizadas… pelo menos não na maioria dos meus dias). Tb me pergunto se há uma alternativa não sanguinária. Não vejo, mas me causa repulsa a violência. Talvez esse seja o maior motivo de me sentir sem saída. Me causa tristeza esse sangue derramado nessa transição. Veja Stálin… Se isso me causa tanta repulsa, mais um sinal de que não tenho um espírito revolucionário dentro de mim, digamos assim… E talvez não se trate de uma escolha, mas simplesmente de temperamento. De qualquer forma, essa discussão vai longe. Tenho um grande amigo comunista, a pessoa mais militante que conheço, e ele costuma bater nesses pontos comigo (na falta de alternativa, na necessidade de luta). Obrigada pelo seu comentário.

  14. Ítalo, Felipe - 28 de setembro de 2011 at 10:41 Reply

    Exelente texto, LILI!!!
    Olá, eu e meu colega lemos com muita atenção, somos de Itapeva-SP da escola : E.M. Ministro Sergio Motta.
    A nossa professora de Lingua Portuguesa nos propôs entrar em algum blog. Como ninguém tinha idéia, ela propôs o seu blog, que tinha textos e td mais!!!!
    Obrigado pela atenção! 🙂
    Italo, Felipe

  15. Patricia - 23 de fevereiro de 2012 at 22:58 Reply

    Estou comentando meses depois de ter estourado o caso Zara e de você ter escrito o texto. Porém, a discussão ainda é válida.
    O texto é excelente por diferir daqueles que abortam o problema e vêm com uma solução pronta, indiscutível e, muitas vezes, impraticável.
    Se não há mesmo nenhuma solução? Não sabemos. Talvez saibamos continuando assim: alguns alheios aos acontecimentos, outros pensando a respeito e mais tantos colocando em prática as soluções nas quais acreditam. Ou talvez não: um dia, quem sabe, todos nós vamos seguir juntos pelo mesmo caminho, contra a maré do capitalismo desenfreado.
    Enfim, ao ler o seu texto me lembrei de um site, que é o principal motivo por ter me dedicado ao comentário. Não sei se você conhece o Slavery Footprint, é um site útil, informativo e também triste. http://slaveryfootprint.org/

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