O bridge, as regras e a realidade

Passei parte da minha adolescência jogando bridge com meus amigos. Para aqueles que não sabem, é um jogo de cartas. Tem fama de complexo, difícil. E é chique, sabe. Pelo menos, a gente achava. Alguém tinha espalhado que era o jogo das velhinhas inglesas. O caso é que enchíamos a boca para falar que jogávamos bridge e nos divertíamos muito com o jogo em si. Passávamos noites entretidos, geralmente na casa do meu pai. Vinho e charuto regavam nossos jogos.

Ok, apenas Coca -Cola e, no máximo, um Fandangos regavam nossos jogos.

Bom. Os anos se passaram e a gente parou de jogar. Perdemos o hábito, sei lá. Coisas da vida. Na verdade, só nos demos conta disso ontem, uns dez anos depois da nossa época áurea do jogo. Começamos a conversar sobre isso. Era tão bom. Tão divertido. Por que paramos? Por quê?

Com um baralho na mão e muita nostalgia na cabeça (ok, péssima), resolvemos ressuscitar o bridge. Ok, agora em outra cidade (São Paulo) e com uma turma menor (Daniel e Fernanda continuam morando em Belo Horizonte), mas o que importa é que era nosso bridge querido.

Ou não.

Porque, agora, chega de poesia e vamos para…

… o bridge, as regras e a realidade

Sentamos à mesa: eu, Bruno, Paulo e o Marcos (que não participou da nossa época áurea e insistia para a gente jogar buraco). Pegamos a garrafa térmica cheia de café. O baralho. E, aí, nos demos conta de que tínhamos esquecido as regras.
Mas tudo bem, né? Anos tinham se passado, acontece. E, afinal de contas, o Google está aí para isso. Fomos para o computador. Digitamos “bridge regras”. Mas abriu um site com regras totalmente diferentes das que conhecíamos. Beleza, site ruim, acontece isso no Google.
Daí abrimos outro site errado.

E mais outro. Não é possível, não existe um site com as regras certas do bridge?

Bem, depois de dezenas de sites errados, era hora de encarar a realidade.

A gente nunca tinha jogado bridge.

Provavelmente, era algum jogo maluco que a Fernanda inventou.

Algumas regras eram até parecidas, com alguma boa vontade da nossa parte. Mas o fato é que bridge mesmo, pelo que pesquisamos, é muito mais complexo do que nosso jogo. Com muito otimismo, posso dizer que passei a minha adolescência jogando, no máximo, um pseudo-bridge para crianças.
Ai, ai.
Me sinto uma filha que só agora, na idade adulta, descobriu que sua família não era verdadeira.
Mas tudo bem. Vamos começar 2009 encarando os fatos. Por um ano novo fora da matrix!

(E o que importa é que, no fim, telefonamos para a Fernanda, ela nos lembrou das regras e passamos a madrugada jogando o jogo que ela inventou. Como nos velhos tempos!)

2 comments to “O bridge, as regras e a realidade”

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  1. Tatiana Costa - 30 de julho de 2010 at 16:46 Reply

    É engraçado que a gente jogar cada jogo que nem sabmos o certo o que é…
    mais é mais interessante assim….!

  2. Daniel - 23 de setembro de 2011 at 11:50 Reply

    Gostei! Achei muito engraçado. As vezes quando não sabemos todas as regras do jogo acabamos inventando, eu no seu lugar, teria inventado algumas regras.

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