Sobre como não percebo quando interrompo as pessoas

Dia desses, fui tomar um café com uma amiga minha, que vamos chamar de J.

Em um certo momento, J. olhou para mim e disse que tinha um caso sério para contar, e que só contaria se eu não a interrompesse nenhuma vez.

Eu: mas eu nunca interrompo você!
J.: Lili, você não me deixa completar uma frase…
Eu: você ta viajando.
J.: vai me deixar contar sem me interromper?
Eu: claro! Como sempre, aliás.
J.: quero só ver.

Eu estava muito segura e confiante. Só ouvidos. E aí ela começou:

J.: eu cheguei lá no escritório…
Eu: isso ontem?
J.: ontem. A K. estava lá…
Eu: a K. não tinha saído de lá?
J.: ainda não, só semana que vem…
Eu: gente, pensei que ela tivesse saído semana passada!
J.: bom, eu cheguei e o M. me deu uma bronca na frente da K… Mas o que mais me chateou foi que…
Eu: qual é o M. mesmo, aquele ruivo?
J.: sério. Desisto.

Aí é que eu fui entender o que J. chama de “interromper”. Na minha visão, o que eu sou é uma ouvinte interessada! Que faz perguntas! Que quer detalhes da história! Que quer ENXERGAR o que a outra pessoa está dizendo.

Er… ou não?

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