Episódio 2 da série de 2 episódios chamada Sobre Abordagens Peculiares

Esse foi num salão de beleza em Belo Horizonte, ano passado. Eu estava calmamente fazendo as unhas, coisa que faço religiosamente a cada seis meses, quando a cliente que estava sentada ao meu lado começa a conversar comigo. Papo vai, papo vem, ela pergunta da minha vida, acaba gostando de mim e me conta sobre o filho dela, que tem 30 anos, também é jornalista, é fofo, morou não sei em que países e fala não sei quantas línguas etc. Em um momento, me perguntei por que aquela senhora falava tanto do filho, mas ok, ela é mãe e fiquei imaginando minha mãe falando de mim e do meu irmão enquanto fazia as unhas – e achei a cara dela. Bom, com as unhas feitas, me despedi, levantei e:

Ela: espera!
Eu: hum?
Ela: o meu filho, sabe. Você não quer conhecer meu filho?
Eu: hã?
Ela: você está solteira?
Eu: estou, mas…
Ela: aqui, toma o cartão dele. Liga para ele, vou avisá-lo hoje. Ele vai esperar sua ligação!
Eu: mas por que eu ligaria para o seu filho?
Ela: ele está solteiro e vocês têm tudo a ver. Liga e chama para um café em São Paulo, é lá que você mora, né? Ele sempre vai lá!

Ri, peguei o cartão e saí de lá rapidinho.

Fica a pergunta, apropriada para esta época do ano:
amor de mãe, qual é o limite?

Deixar comentário

Your email address will not be published.