O caso da luzinha imaginária

No meu prédio, cada apartamento tem duas vagas na garagem. Então uma fica para mim e outra para a Débora (a Naiara, nossa nova roommate, não tem carro). Tem hora que meu carro está atrás do da Débora, tem hora que o carro da Débora está atrás do meu e assim nossa vida continua. Bom. Dia desses, a Débora estava com pressa e pediu para sair com meu carro, que estava na frente do dela.
Eu: Só se você passar no posto, porque a gasolina está muito no fim e daqui a pouco a luzinha do painel acende.
Débora: Olha! Você também espera a luzinha acender para abastecer? Eu sempre faço isso.
Eu: Na verdade, ela nunca acendeu, sabia? Sempre acabo passando no posto antes.
Débora: É mesmo? Eu sempre espero a gasolina chegar na reserva… Bom, vou com o meu mesmo, porque se eu passar no posto vou me atrasar mais ainda. Tchau.
Ela trocou os carros e foi com o dela. No outro dia, ela:
Débora: Lili, você pôs gasolina no seu carro?
Eu: Ainda não, tô tão sem tempo para passar no posto e a luzinha ainda não acendeu, mesmo.
Débora: Lili, eu queria te dizer uma coisa.
Eu: Hum.
Débora: Ontem, na hora de trocar os carros, eu reparei no painel do seu carro e… não tem luzinha.
Eu: Hã? Como assim, a luzinha está apagada.
Débora: Não está apagada nem acesa. O painel do seu carro não tem luzinha nenhuma.
Desci para a garagem, abri o carro e não é que não tem luzinha mesmo? Fui correndo para o posto. E eu sempre me gabava com meu irmão, falando que não deixo para passar no posto de última hora. Era por isso que, em sete anos, a luz do meu carro nunca tinha acendido.
Enfim. Com perdão do trocadilho, agora tudo ficou claro.

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