Meus sisos – o retorno

Voltei de uma longa e tenebrosa recuperação. Ainda dói um pouco, mas já consigo falar sobre o assunto. Dica: se você pretende tirar seus sisos nos próximos dias, pare de ler aqui. Porque meu post será sobre…
… como tirar dois dentes pode ser pior do que tirar dois dentes

O histórico
Eu já tinha me livrado de dois sisos, há alguns meses. Não foi uma experiência agradável, mas foi longe de ser terrível e superei bem o período. Logo, na última sexta-feira, me dirigi ao consultório dentário me apoiando nessa experiência e munida de uma certa segurança.

O apoio familiar
Minha mãe, que mora em Belo Horizonte e não costuma vir a São Paulo, estranhou tamanha tranqüilidade vinda da sua filha e se dirigiu ao território paulistano especialmente para a ocasião, trazendo na mala doce de leite mineiro. Meu namorado não pôde me mimar como fez na primeira cirurgia de siso, porque não tenho mais namorado.

A crise
Minutos antes da cirurgia do siso, minha intuição me avisou de que a cirurgia seria pior do que eu pensava. De fato, um dos sisos estava deitado e o outro se partiu em sete pedaços, como minha dentista me contaria depois. O problema é que minha intuição só me avisou quando eu já estava sentada no sofá da sala de espera. Tensa, tomei um copo d´água, como se água fosse amolecer meus sisos.

A cirurgia
Sentei-me na cadeira da dentista e, para me distrair, comecei a pensar no que precisava fazer no trabalho: “Segunda-feira tenho que marcar as fotos…”. A dentista começou a mexer no dente de baixo e passei a tentar lembrar de letras de música. “Como começava mesmo a música da abertura daquele seriado?” Ela foi puxando o dente que não saía e comecei a estudar para a faculdade: “Para Aristóteles, há três tipos de juízo: categórico, hipotético e apodítico… O juízo categórico…” Ela continuou puxando o dente e bolei jogos mentais: “Quantas letras tem a palavra tal? 1, 2, 3… Como ela fica de trás para frente? O, A, R…”. Ela continuou puxando o dente e eu finalmente comecei a rezar.

A recuperação
Sábado acordei primeiro igual ao Fofão (ou ao Kiko, do Chaves. Use a referência de que mais gostar), dolorida, zonza e meio psicótica, por causa da overdose de antibióticos. Só minha mãe me agüentaria, mas mesmo ela precisou fugir duas vezes: para ir à Liberdade e depois ao Masp. Menção honrosa ao carinho recebido por Débora e Gu (minha roommate e o namorado dela). Domingo, saí pela primeira vez da prisão do siso e fui almoçar com minha mãe, mas não pude deixar de reparar quando duas crianças perguntaram à mãe delas: “O que aquela moça tem???”. Na segunda-feira, várias pessoas do andar – redação da Capricho, Mundo Estranho, Super Interessante, etc) me zoaram, e muito. Mas a pior parte é que minha boca doía a cada risada que eu dava.
E eu rio muito.
Enfim, sorte para quem for tirar os sisos! Não é como falam… Pode ser bem pior.

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