O método da minha mãe para que eu não me irritasse com nosso vizinho Edimar

Prólogo

Quando eu morava com a minha mãe, vivia irritada com um vizinho, o Edimar, que colocava o carro atrás do meu. O problema não era ter um carro impedindo o meu, já que o prédio tinha poucas vagas e era normal dividir o espaço. O estresse era na hora em que eu ia tocar a campainha do apartamento dele, pedindo a chave para que eu trocasse os carros de lugar e pudesse sair feliz.
Obstáculo um: ele não me dava a chave do carro, porque não queria que eu manobrasse o veículo dele. Ele preferia que ele mesmo fizesse isso, por puro apego a essa atividade (e também porque uma vez eu arranhei a calota do carro dele, admito, mas o post não é sobre isso). Obstáculo dois: ele demorava muito para descer e trocar os carros e, com isso, eu chegava atrasada ao estágio, a casa do meu pai, à faculdade, enfim, a qualquer lugar para onde eu estivesse tentando ir. Eu já tinha tentado conversar com meu vizinho Edimar sobre os problemas que ele me causava, mas Edimar não era um homem de muita conversa, não.
Depois desse imenso prólogo, finalmente chegamos à parte que deu nome ao post, que é…
… o método da minha mãe para que eu não me irritasse com nosso vizinho Edimar
Bom. Freqüentemente, quando eu estava atrasada, olhava pela janela, via que o carro do vizinho estava atrás do meu e reclamava:
Eu: Saco, o carro do Edimar tá atrás do meu.
Mãe: Calma, filha, não vai se estressar por causa disso…
Eu: Mas é que eu já estou atrasada, e ainda tenho que implorar para o Edimar tirar o carro dele!

Depois de algum tempo, minha mãe me propôs que eu começasse a me referir ao Edimar como “amiguinho”. Ela disse que isso me acalmaria um pouco. Aceitei o desafio e, a partir desse dia, passei a reclamar assim:

Eu: Saco, o carro do meu amiguinho tá atrás do meu.
Mãe: Vai lá então tocar a campainha do seu amiguinho, Lili!
Eu: Tá bom, tô indo lá no meu amiguinho.

Com o passar do tempo, graças ao método revolucionário e fraternal da minha mãe, minha raiva diminuiu cerca de 80%.

(Não diminuiu 100% porque, enfim, temos o direito de sentir um pouco de raiva dos nossos amigos, né. Nada comparável à ira que podemos nutrir por vizinhos folgados).
Enfim, para quem estiver passando por uma situação semelhante, passível desse método, eu o recomendo veementemente.

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