A vida antes e depois dos meus sisos

Semana passada, fui ao dentista tirar dois sisos. Eu pensava que não doeria nada, que tudo seria simples, lindo e praticamente indolor. Mas agora estou quase escrevendo um livro intitulado Toda a Verdade Sobre o Siso. Se você tirou seu siso e foi ótimo, meus cumprimentos. Mas agora você vai ver como foi tirar o meu. Ou pior, os meus.

Meu cotidiano
Antes de ter que tirar os sisos: eu vivia enchendo a paciência do meu irmão, dizendo que eu era mais evoluída do que ele, porque ele tinha siso e eu, não. Eu falava que, se vivêssemos na pré-história, ele morreria de dor enquanto eu e minha boca com menos dentes que a dele circularíamos serelepes por aí.
Depois: eu fiquei quieta, mas minha mãe comentou com ele.

Os boatos
Antes: as pessoas à minha volta me falavam que tirar o siso é uma coisa muito normal e tranqüila e que não doeria nada, por causa da anestesia.
Depois: percebi que, quando sua dentista avisa que a anestesia não está pegando, tirar o siso pode envolver uma dor semelhante a do parto (não que eu já tenha passado por um).

As maravilhas alimentares
Antes: as pessoas à minha volta disseram que o dia da cirurgia seria extremamente dinâmico e divertido, porque eu faltaria ao trabalho, tomaria sorvete a tarde toda e ficaria lendo, bem feliz.
Depois: minha boca doía tanto que demorei anos pra tomar uma xícara de sorvete. Uma página do livro que eu estava tentando, sem sucesso, ler, ficou suja de sangue.

Os comentários
Antes: nesse ponto, me falaram a verdade: que eu ficaria com o rosto bem inchado.
Depois: eu não contava com o que ouviria de uma amiga aqui do trabalho, a Paty. Merece um texto à parte.

Texto à parte:
Paty – Lili, você tirou o siso, né!
Eu – Tirei, tá meio inchado ainda, né…
Paty (colocando a mão no lado direito do meu rosto) – Tá sim… tá meio bochechudinha…
Eu – É do outro lado, Paty.
Bom, o que importa é que já passou.
Passou, nada. Ano que vem, vou tirar os dois sisos que sobraram.
Ou não.

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