Meu hóspede e seus horários peculiares

Meu amigo D., que mora em Belo Horizonte, me ligou há algumas semanas falando que viria para São Paulo e perguntando se podia ficar lá em casa. Eu disse que tudo bem e esqueci o assunto. Bom. Sábado, eu estava tranquilamente dormindo quando o telefone toca.
Recepcionista – Bom dia, Liliane, o D. está aqui embaixo…
Eu (olhando o relógio, que marcava QUATRO E QUINZE DA MANHÃ) – Hã?
Recepcionista – D. está aqui embaixo.
Eu (pensando que tudo era um sonho) – Fala pra ele subir…
Ele subiu, eu morrendo de sono e sem fazer perguntas dei um travesseiro para ele, ele me deu um beijo na testa e foi dormir. Umas cinco horas depois, acordamos e aí sim conversamos.

Ele: Vamos passear hoje? Aí amanhã vamos para a parada.
Eu: A parada gay? D., a parada é HOJE.
Ele: Sério? Então vamos para a parada hoje e passeamos amanhã. E aí vou embora amanhã à noite, tá?
Eu: Tá.
Fomos para a parada, encontramos outros amigos, passeamos, etc. À noite, já em casa, ele:
Ele: Tenho uma festa que começa às duas da manhã, na Barra Funda. Quer ir?
Eu: Não, obrigada. Duas da manhã eu já vou estar dormindo. Aliás, eu queria dormir agora. Você não quer ir para a festa agora, não?
Ele: É mesmo, já é meia-noite, vou indo. É bom que dá tempo de eu ir a pé.
Eu: Você sabe que são mais de dez quilômetros até lá, né. (com dor no coração) Quer meu carro emprestado?
Ele (beijando minha testa): Não. Tô indo. Tchau.
Fui dormir. Algum tempo depois, o telefone tocou.
Recepcionista – Bom dia, Liliane, o D. está aqui embaixo…
Eu (olhando no relógio, que marcava CINCO DA MANHÃ) – Fala pra ele subir…
D. (depois de subir) – Tchau, Lili, tô indo.
Eu (morrendo de sono) – Como assim, indo? Indo pra onde?
D: Pra BH.
Eu: D, hoje é domingo, são cinco da manhã… a gente não ia passear hoje?
D: (dando um beijo na minha testa) – É, mas vou indo… Te adoro, tá?
E foi.

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